23/08/2025
Maria Mulambo é a cara que a sociedade não quer ver!
Maria Mulambo é o corpo preto jogado na rua pelo açoite da bala perdida da escravidão moderna nós becos e vielas, Maria Mulambo é a mulher exterminanda dia após dia pelo feminicídio, Maria Mulambo é a criança esquecida pela paternidade.
Ela é o retrato vivo da hipocrisia de um mundo que fala em caridade no domingo e cospe no pobre na segunda.
Maria Mulambo não está nos salões luxuosos, ela está na miséria dos becos e vielas que a cidade finge não existir.
Ela é a rainha coroada pelo desprezo humano, pelos restos que a burguesia joga fora, pela desigualdade que alimenta esse sistema podre.
É a gargalhada que ecoa nas encruzilhadas contra os moralistas de terno e gravata que chamam os pobres de vagabundos enquanto roubam bilhões de dentro dos cofres públicos.
Maria Mulambo é a revolta dos invisíveis, é a boca que cospe contra a hipocrisia religiosa do pai nosso e ave Maria que promete céu mas fecha as portas do templo para o mendigo sujo.
É a presença maltrapilha que mostra que a sujeira não está nos trapos, está nas mãos limpas e bem lavadas dos que exploram, dos que acumulam, dos que condenam.
Os mulambos que ela veste não são vergonha.
Vergonha é a fome, a desigualdade, a exclusão e o ódio disfarçado de moralidade.
Maria Mulambo é o grito dos que não têm voz, a força dos que o mundo chama de lixo.
E é no lixo humano da sociedade que ela reina soberana, porque aquilo que o sistema descarta é justamente o que carrega o poder de transformação.
Maria Mulambo é ancestralidade, é denúncia, é revolução. É a lembrança viva de que o luxo de poucos sempre custou o sangue e o mulambo de muitos.
Maria Mulambo é o grito sufocado daqueles que a sociedade insiste em varrer para debaixo do tapete.
Ela é a guardiã dos esquecidos, a justiça dos invisíveis.
Enquanto o sistema oprime, Maria Mulambo acolhe.
Enquanto o mundo fecha portas, ela abre encruzilhadas.
Sua força não está na seda, mas no pano rasgado; não no ouro, mas no pó da estrada; não no poder oficial, mas na rebeldia dos que resistem.
Maria Mulambo é a Pombagira dos excluídos.
E é justamente nos trapos que ela se veste de rainha, porque é ali, no desprezo do mundo, que nasce a verdadeira força.
Jefferson Santana.
Que texto amigos, que verdade!❤️🖤