01/11/2024
N.A.N.Ã - B.U.R.U.Q.U.Ê
Nanã é uma Orisa que não conhece a modernidade. Ela é do barro, da lama, do lodo, da época das pedras onde não existia metal, mas apenas o que vemos na natureza.
Os pântanos eram onde Nanã passava seu tempo além de cultivar a terra com as suas próprias mãos.
Nanã é do barro, ela é terra, ela moldou os seres humanos com as suas mãos abençoadas e bem ágeis.
Nanã se alimentava com as mãos sem nenhum tipo de talher e coisas do tipo como conhecemos. Bebia água com as próprias mãos em forma de co**ha. Entrava no mar para se banhar. Usava as rosas para se perfurmar.
Sim, Nanã tem esse dom da magia, pois na verdade ela é uma poderosa feiticeira, a mais poderosa delas.
Ela com sua tenra idade clamou a Orunmilá que lhe desse um filho. Orunmilá sabia que Nanã não tinha idade para isso porém, ela mesmo assim não desistiu de sua vontade e teve Omolu/Obaluaê/Xapanã.
O menino nasceu cheio de feridas pelo corpo.
Agora VAMOS aos detalhes dessa história que muitos enxergam Nanã como vilã.
Devemos entender que Nanã é uma divindade. Uma energia de extrema LUZ e benevolência. Ela tem sentimentos como qualquer outro no entanto, sua sabedoria é afiada, é antiga e rígida além se ser disciplinadora.
Ela não abandonou Omolu porque simplesmente ele nasceu com o corpo cheio de feridas, negativo. Ela deixou Omolu dentre as pedras para que se cumprisse o propósito da terra. Era pra ser Omolu o senhor das pragas. Era pra ser Omolu o senhor dos segredos da vida e da morte. Nanã havia morrido quando teve Omolu.
O poder das feridas se transformou em pipocas que enfeitaram Nanã. Essas pipocas trouxeram Nanã de volta a vida. Ela deixou Omolu ali, pois não havia mais como criar um filho que não era mais seu, da primeira Nanã já que ela havia morrido e renascido, mas sim da terra, da terra de Nanã, do barro que ela domina, o barro do qual ela compartilha com ele.
Iemanjá o acolheu para que o propósito fosse dado a Omolu. O de equilibrar a sua mente. O seu Ori. É ela a dona de todas as cabeças. É Iemanjá quem coloca em nossa cabeça o equilíbrio mental, a centelha do pensar, o chamado cérebro.
Foi assim que Omolu cresceu com Iemanjá que cuidou de Omolu com muito amor e carinho. Nanã havia tido mais dois filhos, Oxumarê e Ewá. O transformador da vida para o começo de um novo dia, e o amor e a paixão de pura ternura.
Orunmilá é o supremo dos céus e Nanã a suprema da terra. Ele, Orunmilá Rei dos céus e Nanã, Rainha da terra. Ela não é submissa. Ela é de igual para igual.
SILÊNCIO! Ela chegou! - Salubá, Nanã!