25/12/2024
E AGORA ?
Para começar, cito uma frase de Nitiren Daishonin: “Misturar outro ensino com o Nam-myoho-rengue-kyo é uma séria ofensa. Uma lanterna é inútil quando o sol se levanta. Como poderiam as gotas de orvalho ser úteis quando cai a chuva? Haveria necessidade de alimentar um bebê recém-nascido com algo que não seja o leite materno? O bom remédio atua por si só; não há necessidade de outro remédio”.
Quando iniciei a prática, notei que estava diante de algumas dúvidas semelhantes à sua, leitor. Meu pai era praticante firme da umbanda — e eu participava de alguns “trabalhos” com ele. Na época, conversando com um veterano budista, ele me disse: “Como você é iniciante no budismo, é plenamente compreensível sua questão”. E complementou: “Acredito que se ouvir uma criança recitando ‘batatinha quando nasce, esparrama pelo chão...’, poderá considerar uma gracinha; agora se, com o passar dos anos, ela continuar recitando do mesmo jeitinho, você poderá considerá-la meio maluca”.
Portanto, o primeiro passo é crescer na convicção como budista. No momento, ainda é compreensível que busque soluções imediatas, soluções fora de si mesmo e até “milagres”; com o passar dos dias, meses e anos, entenderá melhor que não existe solução fora do desafio de realizar a própria revolução humana.
Voltando às palavras daquele veterano, um dia ele citou vários exemplos que guardo até hoje: “Se você se casar e, vez por outra, visitar a ex-noiva, poderá esperar o quê?”; “Se você trocar de emprego, mas faltar no atual para resolver problemas e atender solicitação do ex-patrão, correrá o risco de ficar sem nenhum dos dois”; “Se diante de uma dor de cabeça, você tomar diferentes comprimidos, acabará sem saber qual fez efeito na melhora ou qual causou uma intoxicação”. Resumindo, você precisa definir claramente o que deseja ser.
Permita-me também refletir sobre outro aspecto de sua pergunta: Conforme você escreveu: “Será que tenho faltado com respeito ao Gohonzon?”, fico pensando se ao misturarmos práticas religiosas não estamos faltando com respeito a nós próprios...
O presidente da SGI, Daisaku Ikeda, orienta: “Devemos sempre nos lembrar da exortação de Daishonin em acreditar que a nossa própria vida é uma entidade do Myoho-rengue-kyo, bem como sua advertência de que se buscarmos a iluminação fora de nós, não estaremos praticando a Lei Mística, mas um ensino inferior. (...) A fé contínua na Lei Mística é a própria consecução do estado de Buda”.
Não é muito fácil ser budista no Brasil. Quer um exemplo simples? Pegue qualquer nota de real em sua carteira e encontrará impresso: “Deus seja louvado”, isto é, independentemente da fé, ou mesmo que seja ateu, o indivíduo está fadado a conviver com uma cultura repleta de manifestações religiosas. Porém, existe uma enorme diferença entre adaptar-se à cultura do país e misturar práticas religiosas. Nosso mestre ainda afirma: “... os senhores devem respeitar a cultura e os costumes de seu país. O Budismo de Nitiren Daishonin é o Budismo do Universo em si, é a grande Lei que ilumina a vida de todas as pessoas do mundo com absoluta igualdade. (...) Nada pode ser mais distante do espírito universal do budismo do que estar em conflito com os outros ou ser intolerante em nome da religião. Espero que, observando rigorosamente as leis e os costumes de seu país, como budistas, os senhores tornem-se cidadãos exemplares e de confiança de todos”.
Acabamos de passar pelas festas de fim de ano. No meu local de trabalho, bem em frente da minha mesa montaram uma árvore de natal, foi realizado o tradicional amigo-secreto e uma festa de confraternização. Participei de tudo, com as palavras de Nitiren Daishonin em mente: “Uma vez que nasci no domínio do governante, devo segui-lo em minhas ações. Mas não preciso segui-lo nas crenças do meu coração”.
Bem, leitor, o mais importante é realmente saber o que se deseja. Eu, por exemplo, tenho me esforçado ao longo de 40 anos de conversão para fazer sempre o que é mais certo. Não sou anti nada. Sou budista, tenho o Gohonzon, o presidente Ikeda como meu mestre e a BSGI... não preciso de mais nada.
TC 485 01/01/2009