22/10/2021
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*Comentários sobre a pentarquia cristã na história da Igreja*
Diácono Luís de Alencar/ICAB – Embora refutado pelos católicos romanos, o termo “pentarquia cristã”, que se refere ao governo das cinco primeiras igrejas patriarcais do cristianismo primitivo, é um contraste ao pretendido sistema papal de monarquia eclesial (governo de um só).
Fato é que Cristo não escolheu um único apóstolo para continuidade de sua obra e a interpretação tardia do primado de Pedro levou a paralelos históricos na formação das igrejas, o que fez com estas mantivessem até hoje uma identidade forte e independente no mundo cristão.
A mudança da capital do Império Romano para Constantinopla e a proeminente liderança dos patriarcas ortodoxos na formação da “doutrina católica” por meio dos sete primeiros concílios da igreja total, mostra que, de início, o Oriente Cristão estava na dianteira dos debates teológicos que formaram a doutrina católica e ortodoxa.
É certo que com o avanço do islã somado ao apoderamento dos reinos bárbaros-católicos sobre a maior parte dos cristãos, acabaram por pressionar os antigos patriarcados a aceitarem a uma ideia de submissão por meio do que veio a ser chamado de papado. Sendo assim, o segundo milênio inauguraria um sistema de governo que a própria igreja já havia condenado por meio de seus papas. “Quem desejasse ser chamado bispo universal é precursor do anticristo”, disse um dos mais importantes bispos de Roma, Gregório Magno no ano de 587 ao refutar a intenção do Patriarca de Constantinopla João IV, pelo título de “bispo universal”.
Reconhecidas pelos famosos concílios em diferentes ocasiões de uma questionável “harmonia”, a herança apostólica direta que se viu por meio dos bispos presentes no 1º Concílio de Nicéia em 325, foi atribuída primeiro ao Apóstolo Tiago, Irmão do Senhor, que fundara as bases da Igreja de Jerusalém (34 d.C.), depois ao Apóstolo Pedro que criara a Igreja de Antioquia (34 d.C.), com o Apóstolo Santo André, a quem se atribui a fundação da Igreja de Constantinopla (36 d.C.), também do Apóstolo São Marcos, onde temos a Igreja de Alexandria (42 d.C) e a Igreja de Roma, que teria se firmado pelo início dos anos 60. Embora não tenha sido conhecida ou reconhecida, a tradição histórica também menciona que o Apóstolo São Tomé criou a Igreja da Índia (52 d.C.) e o Apóstolo São Judas Tadeu criando a Igreja Árabe ou Igreja Assíria do Oriente (37 d.C.).
Curioso é que após tantas reviravoltas na história das fragmentações do cristianismo, é quase que imperativo o reconhecimento de que em maior ou menor grau, as diversas denominações cristãs emanadas da pentarquia primitiva ainda conservem em si a existência da ortodoxia apostólica indispensável num credo cristão.