30/05/2024
A LEMBRANÇA DE PASTOR ANDERSON
Eu me lembro de um homem com um ralo cabelo agrisalhado, me lembro de como o passar do tempo os tornaram brancos e ainda mais escassos aquele fino cabelinho. Às vezes me pergunto se eles eram loiros, castanhos ou algo assim, mas para mim, sempre foram da cor de alguém cujo o passar dos anos conferiu um aspecto de sabedoria. Eu, uma criança especialmente difícil, via semana após semana aquele mesmo homem. Lembro-me também de seus olhos azuis, e de um par bem expressivo de sobrancelhas que subiam e desciam de forma muito caricata, sobretudo quando consentia: “exatamente” ou quando advertia juntando também as mãos: “veja só, eu penso que ai é o seguinte, você conhece o caso do casal que separou por causa do papel higiênico?” E de modo muito mais especial me lembro de uma forte e envolvente risada “ho ho ho ho” tal qual a gente imagina ser a do bom velhinho…
Você acreditaria se eu dissesse que há quem pudesse dizer, criticar, que seus sermões eram um tanto sem energia ou fogo, de tal modo constantes, que entediasse? Bem, de tão constantes há quase 30 anos seguem no mesmo ritmo. Eu que já na adolescência, passei um tempo distante do caminho, quando trazido de volta, deparei-me com os mesmos e constantes sermões, no mesmo ritmo, sempre. Aliás, nem sempre seguiram, houveram dias vacilantes, dias em que a voz embargou, que o coração parou e os ouvintes prenderam o ar, dias de dor, de sofrimento, em que aquele homem, ousou chorar, dividiu conosco sua dor, quando Maressa adoeceu, nós nos angustiamos com ele, quando Juju se despediu nós suspiramos juntos. E quando Ideide chegou nós sorrimos e brindamos outra vez. Quantos momentos pra se lembrar.