Em meados de 1790, o distrito de Ibitira encontrava-se situado dentro da área da Fazenda Camelo. As duas fazendas eram separadas pelo Morro Canastra. Certo dia, o proprietário da Fazenda Espírito Santo foi comprar gado na Fazenda Camelo. Retornando da viagem alguns dias depois, acompanhado por seus escravos, chegaram à Fazenda Espírito Santo com o gado comprado. Este gado fugiu indo para a Fazenda
Camelo. O dono da Fazenda Espírito Santo mandou então um escravo por nome Manoel, procurar o gado desaparecido. O escravo seguiu a trilha do gado e deparou com uma lagoa (hoje Lagoa da Vargem Grande) chegando à Casa Grande da Fazenda Camelo. Lá falou sobre a lagoa. Volta à Fazenda Espírito Santo. Os dois fazendeiros reuniram seus escravos nas proximidades da lagoa. Limparam a área ao redor e abriram dois caminhos ligando as duas fazendas à lagoa. Em 1791 vieram os primeiros moradores, atraídos pela terra fértil e pela abundância de água. Estes moradores foram:
José Inácio da Silveira – Descendente de Caetité, casou-se com Emília Rosa da Silveira, tiveram 3 filhos: Manoel Cândido da Silveira, Mariquinha da Silveira e Almerinda da Silveira. Francisco Antônio Oliveira – Veio das proximidades de Ibiassucê. Chegou aqui com sua esposa D. Minéia, que faleceu alguns anos depois. Casou-se pela segunda vez com D. Flora Maria de Matos, filha de Tertulino, que residia na Fazenda Lagoa do Canto. Seu Francisco era conhecido por Xixico. Trouxe o sogro para morar aqui, pois era muito rico e tinha muitas terras. Tiveram alguns filhos, entre eles: Deocleciano Antônio Oliveira, que casou-se com D. Arlinda Galdina de Jesus. O povoado teve o nome de Barra do Xixico, passando depois para Arraial da Barra. Com a Lei nº 2.207 de 09 de agosto de 1924, passou a se chamar Distrito de Ibitira, pertencendo a Rio do Antônio através da emancipação política, em 27 de julho de 1962. Manoel José Messias – construiu a primeira casa antes do Riacho, dando assim extensão ao povoado. Ele construiu o primeiro restaurante. Sabe-se que o Distrito de Ibitira/BA não nasceu de inspiração exclusivamente religiosa, como a grande maioria das vilas e povoados brasileiros, mas se tornou uma comunidade católica mariana após a chegada da imagem de Nossa Senhora do Carmo, trazida de Portugal a Salvador, e encaminhada para a comunidade em 1927, por intermédio de Dona Guilhermina Magalhães e seu esposo Amanso Trindade, devotos da Virgem do Carmo, que reuniam pessoas em sua residência para rezar junto da imagem da santa, sendo as novenas celebradas nas famílias de casa em casa. Neste mesmo ano, iniciou a construção da primeira capela, inaugurada em 1930, e que recebeu a imagem da Virgem do Carmo e o mesmo nome dedicado ao templo, onde as missas aconteciam uma vez ao ano no dia 16 de julho, por ocasião da festividade de Nossa Senhora do Carmo, intitulada padroeira da comunidade, sendo que os padres vinham à cavalo para esta grande festa, onde acontecia mutirão de confissões, batizados e casamentos. Com o desenvolvimento do distrito e consequentemente o crescimento da comunidade católica Ibitirense, houve a necessidade de construir uma nova igreja, onde comportasse mais fiéis, visto que a capela já não era suficiente para o tamanho da população existente. Em 1980, por intermédio e total empenho do italiano Padre Arnaldo Saltarin, foi construída a nova igreja na Avenida Norberto Fernandes, ao lado da BR-030. A comunidade Nossa Senhora do Carmo já foi assistida por muitos padres filhos da nossa diocese de Caetité, entre eles, os padres Adhemar, Darcílio, Juarez, Itamar, João Sá Teles, Osvaldino Caetano, Anderson, e também por padres italianos, entre eles, padres Dante, Arnaldo, Rossano, Gabriel, Vicente, Mário, Marcos, José Mazzoco, Francisco, Mateus, entre tantos outros que já colaboraram nas celebrações, na falta de um padre responsável pela comunidade, contando com celebrações sempre bem participadas. Dentro do período de provisão paroquial do Padre Osvaldino Batista Caetano (na ocasião, pároco de Rio do Antônio e Ibitira), grande incentivador da comunidade católica de Ibitira para realização do sonho existente da construção de um novo templo, cuja necessidade era latente devido à igreja não comportar o número de fieis (mesmo motivo da construção anterior), em janeiro do ano de 2015 foi iniciada a nova construção, derrubando a igreja construída em 1980 para erguimento do novo templo, que já contava com uma reserva material, cuja arrecadação havia iniciado um ano antes do início da obra, uma demonstração de fé da comunidade católica de Ibitira que em meio a muitas dificuldades e provações, se dedicou, empenhou e não mediu esforços para a realização do sonho que era de todos. Com a chegada do novo bispo, Dom José Roberto Silva Carvalho, em janeiro de 2017, uma nova alegria surgiu para o povo Ibitirense, a oportunidade de se tornar paróquia. No mês de abril do corrente ano, recebemos como administrador da comunidade o Padre José Rocha, responsável pela organização dos trâmites legais para a Ereção Canônica, sendo ele nomeado primeiro pároco na data de oficialização da paróquia, no dia 07/07/2017 às 19h na Igreja Nossa Senhora do Carmo, dando continuidade à festa da padroeira que teve como tema do ano “Com Maria, vivemos a igreja em saída que leva a ternura e a alegria do Evangelho às periferias”, festa esta sempre muito esperada pela comunidade e pelos filhos e filhas de Ibitira que residem fora, momento propício para a grande manifestação de fé e devoção à Virgem Maria, aqui intitulada Nossa Senhora do Carmo. A paróquia conta com um número de 23 (vinte e três) comunidades eclesiais dentro do território delimitado pela diocese e pertencente ao distrito.