10/08/2023
'*Meditação de hoje 10/08/2023'
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A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo
(Santo Afonso Maria de Ligório)
CAPÍTULO III - Reflexões sobre a flagelação, a coroação de espinhos e crucifixão de Jesus Cristo
Sem beleza nem forma
1. E eis que o Senhor, que era o mais formoso dos homens (Sl 44,3), aparece no Calvário tão disforme pelos tormentos que causa horror a quem o vê. Essa deformidade, porém, o faz aparecer mais belo ainda aos olhos das almas que o amam, já que aquelas chagas, aquelas pisaduras, aquelas carnes dilaceradas são provas e sinais do amor que ele nos tem, como delicadamente cantou Petrucci: “Por nós como réu e flagelado apareceis e aspecto tão disforme e feio ofereceis; tanto mais belo, porém, e doce vos aclamam os corações amantes que por vós clamam”. Ajunta S. Agostinho: “Ele pendia disforme, na cruz, mas a sua deformidade constituía a nossa beleza (Serm. 22 de verb. Ap.). Sim, porque aquela deformidade de Jesus crucificado foi a causa da beleza de nossas almas que, até então disformes, lavadas no seu precioso sangue, tornaram-se graciosas e belas, segundo o que escreve S. João: “Esses que estão revestidos de estolas brancas, quem são e donde vieram? São os que vieram de uma grande tribulação e lavaram as suas vestes e as embranqueceram no sangue do Cordeiro” (Ap 7,13). Todos os santos como filhos de Adão (exceto a Santíssima Virgem) estiveram por algum tempo recobertos com uma veste sórdida, mas lavadas com o sangue do Cordeiro tornaram-se cândidas e agradáveis a Deus.
2. Ó meu Jesus, vós dissestes que, quando exaltado na cruz, haveríeis de atrair tudo a vós (Jo 12,32 e 33). Vós, realmente, nunca deixastes de conquistar o afetos de todos os corações: E já muitíssimas almas felizes, vendo-vos crucificado e morto por seu amor, abandonaram tudo, posses, dignidades, pátria e parentes, chegando até a abraçar os tormentos e a morte, para se entregarem inteiramente a vós. Infelizes daqueles que resistem à vossa graça, que lhes obtivestes com tantas fadigas e dores. Ó Deus, será esse seu maior tormento no inferno, pensar que tiveram um Deus que para ganhar seu amor deu sua vida por eles na cruz e que eles quiseram perder-se de livre vontade e que não haverá mais remédio para eles por toda a eternidade.
Ah, meu Redentor, eu já mereci cair nessa desgraça pelas ofensas que vos fiz. Quantas vezes eu resisti à vossa graça que procurava atrair-me a vós e para seguir as minhas inclinações desprezei o vosso amor e voltei-vos as costas. Oh! tivesse morrido antes de ofender-vos. Oh! se sempre vos tivesse amado! Agradeço-vos, meu amor, que me suportastes com tanta paciência e que em vez de abandonar-me, como eu merecia, duplicastes os convites e me cumulastes de luzes e impulsos amorosos. “Eternamente cantarei as misericórdias do Senhor”. Não deixeis, meu Salvador e minha esperança, de continuar a atrair-me e a cumular-me de vossas graças, para que no céu eu possa vos amar com mais fervor, pensando em tantas misericórdias de que fui objeto depois de tantos desgostos que vos causei: Tudo espero daquele sangue precioso que derramastes por mim e daquela morte tão dolorosa que por mim sofrestes. Ó Santíssima Virgem Maria, protegei-me e rogai a Jesus por mim.
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