09/01/2026
O Tempo. Sempre o Tempo regulando nosso Tempo! E não há como fugir Dele, nem saber o que Ele nos reserva.
Partiu em sua travessia para a vida eterna, Mãe Ana de Ogun. Retrato da perseverança, humildade e do acolhimento.
Lembro-me das minhas andanças pela Avenida Vasco da Gama, ao lado de Geraldo Macaco e Hélio dos Anjos, quando me deparava com Tia Ana em um botequim, jogando
nas máquinas caça - níquel, quando o jogo, sequer, era contravenção penal.
Ojá amarrado na cabeça, cigarro na boca, e um dos lados da saia preso na cintura, próximo a pala de sua saia, de olhos vidrados nas figuras que apareciam no visor da máquina!
- À benção, minha Tia !
“Meu pai, que lhe abençoe ! Tem moedas aí(0,25 centavos naquela época)?
Tia, devo ter umas 03 aqui.
“Me dê ! Agora vou tirar o prêmio”.
Tia era incrível! Espontânea, direta e sem papas na língua!
Dileta filha de Ogun!
Viveu no “regulamento”!
Nunca teve seu nome “arrastado na Medina”, pois sempre se deu o respeito!
Era remanescente da época de ouro das mulheres do Candomblé tradicional.
Hoje, no dia de sua Travessia, estou em terras fluminenses, e não vou conseguir me despedir da senhora 😔, mas a lembrança que vou levar, vai ser de nosso último encontro, nos 40 anos de seu filho, Baba Silvio Ribeiro.
Rimos, fofocamos e a senhora como sempre, levou a obrigação com maestria e carinho para com os seus, e todos ali presentes.
A vida realmente é um sopro, basta o vento parar de soprar dentro de nós.
Rogo a Iroko, o condutor ancestral, que lhe acomode a sua Copa, que com certeza, o lugar da senhora está reservado, junto aos seus, sob a sombra dos justos 🙏🏿