27/07/2021
Sim, eu sei... é uma redundância óbvia. Mas, atrevo-me a dizer, uma redundância necessária. De fato, na mente de muitos crentes, o culto bíblico incorpora menos daquilo que a Bíblia ordena do que daquilo que deixa os crentes felizes ou os consumidores confortáveis. Mas, em sua forma e conteúdo, o culto deve estar radicado na autoritativa Palavra de Deus. É a teologia, e não uma filosofia pragmática voltada para o crescimento numérico da igreja ou para o consumo semanal de uma experiência extasiante com Deus, que deve impulsionar o nosso culto.
Na tradição reformada, os crentes geralmente aderem ao chamado "Princípio Regulador do Culto". O Princípio Regulador declara que, no culto, os crentes nada devem fazer exceto aquilo que foi prescrito ou ordenado na Escritura. Esse princípio não somente salienta o fato de que Deus revelou na Sua Palavra o modo como deseja ser adorado, mas também, de modo maravilhoso, resguarda o culto das inovações da humanidade pecaminosa. Certa vez, Calvino comentou que a nossa mente é uma fábrica de ídolos, sempre inventando novos objetos de culto e imaginando novas maneiras como adorar. O Princípio Regulador considera com muita seriedade tanto a veracidade da Palavra de Deus como a falsidade do coração dos homens.
Levítico 10.1-11 dá-nos uma lição soberana concernente à seriedade com que Deus considera o culto. Nadabe e Abiú, sacerdotes ordenados e filhos de Arão, trouxeram fogo estranho e desaprovado diante do Senhor, fogo que Deus "não lhes ordenara" (v. 1). O resultado é que "saiu fogo de diante do Senhor e os consumiu; e morreram perante o Senhor" (v. 2).
Para não pensarmos que Deus considerava essas questões de forma diferente na Antiga Aliança, o escritor aos Hebreus lembra-nos que Deus continua a ordenar um culto aceitável (leia-se: biblicamente regulado) na Nova Aliança, quando declara: "Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor" (Hb 12.28-29). Noutras palavras, Deus exige um culto tanto bíblico na forma exterior como sincero, mediante a fé, no íntimo.
John D. Payne