03/11/2019
Ainda estamos presos ao catolicismo...
Mesmo depois de tanto tempo livres, protegidos por lei e sermos reconhecidos como religião, o candomblé continua seguindo, em maior parte, o calendário católico. Nossa ancestralidade é tão intensa, tão profunda e muito mais antiga que o catolicismo, mas, continuamos as sombras da igreja que em nome de um Deus amoroso, torturou e matou milhares de pessoas que tiveram seus futuros mudados por uma maldita escravização. Por muito tempo fomos forçados a chamar de ancestrais os santos católicos, o que com muita sabedoria, nossos antepassados conseguiram esconder o nosso legado atrás dessa mascara cruel e desumana.
Não vejo mais a necessidade de chamar, por exemplo: OGUN, de SÂO JORGE! Respeito o santo guerreiro e também acredito em sua santidade, mas continuar camuflando meu ancestral é mostrar para o mundo que ainda tenho medo da sociedade ou vergonha da minha religião...
Cultuar a semana santa em um terreiro de candomblé é incoerente, cultuar finados e não a Nzumba, Kavungo, Kitembo e Nvumbe, (Nanã, Omolu, Tempo e os nossos Ancestrais) é retrocesso...
Não vejo mais a necessidade de misturar as religiões, ou cultuamos uma ou outra, ou as duas, mas sem misturar as tradições.
Não acredito que essa minha colocação seja a correta e que o restante do mundo esteja errado, apenas acredito que somos livres para cultuarmos nossos ancestrais de forma mais coerente, da forma que nossos antepassados gostariam que cultuássemos, sem mentirmos pra mesmo nos e nem para Eles, sem chamar a mãe de Jesus Cristo de Iemanjá, sem chamar Cosme e Damião de meu Erê, e sem utilizar as datas católicas em nossos terreiros.
É dia santo? Ótimo, vá à missa, reze o terço, peça e agradeça ao santo... E no terreiro, vista seu branco, tome seu banho de ervas e festeje seu ancestral, uma coisa não impede a outra.
Respeito às opiniões divergentes a minha, respeito àqueles que acreditam na unificação das religiões e que continuam cultuando-as juntas, assim como espero que respeitem meu posicionamento.
NZambi Akuatesà
texto: Tata OMIN DELÈSÙ.