22/08/2026
A vida não nos pergunta em qual estação gostaríamos de permanecer.
Há tempos de flores, em que tudo parece responder ao esforço com beleza. Há tempos de frutos, quando finalmente colhemos aquilo que durante anos sustentamos em silêncio.
Mas também existem os períodos em que as folhas caem.
E é justamente aí que muita gente acredita que está perdendo tudo.
Nem sempre está.
Algumas perdas são a maneira que a vida encontra de retirar o que já cumpriu sua função. Algumas ausências abrem espaço. Alguns fins impedem que continuemos presos a lugares onde já não existe crescimento.
Depois chega o inverno.
A fase em que nada parece acontecer.
Os caminhos ficam silenciosos, as respostas demoram, certas pessoas se afastam e aquilo que antes florescia parece ter desaparecido.
Mas uma árvore no inverno não está morta.
Ela está trabalhando onde ninguém vê.
Suas raízes continuam vivas. Sua força se recolhe. Sua estrutura se prepara para aquilo que ainda não pode mostrar.
Nós também somos assim.
Existem períodos em que a vida exterior parece parada, mas o espírito está reorganizando tudo por dentro.
É quando aprendemos a sobreviver sem aplausos, a permanecer sem garantias, a confiar mesmo sem sinais.
E então, quando menos esperamos, algo volta a brotar.
Não porque a dor nunca existiu.
Mas porque ela não conseguiu destruir a raiz.
Maturidade espiritual é compreender que nenhuma estação possui direito de permanência sobre a nossa existência.
Nem a alegria dura para sempre.
Nem a tristeza.
Nem a abundância.
Nem a escassez.
Tudo passa.
E talvez viver seja justamente aprender a não nos desesperarmos quando as folhas caem, nem nos iludirmos acreditando que as flores serão eternas.
A árvore permanece porque aceita transformar-se.
Perde folhas sem perder a essência.
Enfrenta o frio sem esquecer a primavera.
Produz frutos sem imaginar que aquilo será sua única estação.
A vida fará o mesmo conosco muitas vezes.
Vai nos despir.
Vai nos silenciar.
Vai nos fazer florescer novamente.
E a verdadeira força não estará em evitar essas mudanças.
Estará em atravessar cada uma delas sem permitir que uma estação difícil nos convença de que a nossa história terminou.
Porque enquanto houver raiz, haverá possibilidade de renascimento.