26/05/2026
_MARIA MÃE DA IGREJA
Portanto, para glória da Virgem e para nosso conforto, proclamamos Maria Santíssima «Mãe da Igreja», isto é, de todo o Povo de Deus, tanto dos fiéis como dos pastores, que lhe chamam Mãe amorosíssima; e queremos que com este título suavíssimo seja a Virgem doravante honrada e invocada por todo o povo cristão.
Trata-se, veneráveis Irmãos, de um título que não é novo para a piedade dos cristãos; porque antes é justamente com este nome de Mãe, de preferência a qualquer outro, que os fiéis e a Igreja toda costumam dirigir-se a Maria. Em verdade, ele pertence à genuína substância da devoção a Maria, achando sua justificação na própria dignidade da Mãe do Verbo Encarnado.
Efetivamente, assim como a maternidade divina é o fundamento da especial relação de Maria com Cristo e da sua presença na economia da salvação operada por Jesus Cristo, assim também constitui essa maternidade o fundamento principal das relações de Maria com a Igreja, sendo Ela Mãe d'Aquele que, desde o primeiro instante da Sua Encarnação no seu seio virginal, uniu a si, como Cabeça, o seu Corpo místico, que é a Igreja. Maria, pois como Mãe de Cristo, também é Mãe dos fiéis e dos pastores todos, isto é, da Igreja.
Portanto, é com ânimo cheio de confiança e de amor filial que elevamos o olhar para Ela, não obstante a nossa indignidade e fraqueza. Ela, que em Jesus nos deu a fonte da graça, não deixará de socorrer a Igreja, agora que esta, florescente pela abundância dos dons do Espírito Santo, com novo alento se empenha na sua missão salvadora.
E ainda mais reavivada e corroborada é a nossa confiança se consideramos os laços estreitíssimos que ao gênero humano prendem esta nossa Mãe celeste. Embora na riqueza das admiráveis prerrogativas com que Deus a exornou para a fazer digna Mãe do Verbo Encarnado, está Ela, todavia, pertíssimo de nós. Filha de Adão como nós, e por isso nossa irmã por laços de natureza, ela é, todavia a criatura preservada do pecado original em vista dos méritos do Salvador, e que aos privilégios obtidos junta a virtude pessoal de uma fé total e exemplar, merecendo o elogio evangélico de «beata quae credidisti». Na sua vida terrena, realizou a perfeita figura do discípulo de Cristo, espelho de todas as virtudes, e encarnou as bem-aventuranças evangélicas proclamadas por Cristo. Pelo que, n'Ela, toda a Igreja, na sua incomparável variedade de vida e de obras, acha a forma autêntica de perfeita imitação de Cristo.
Auguramos, pois, que, com a promulgação da Constituição sobre a Igreja, selada pela proclamação de Maria Mãe da Igreja, isto é de todos os fiéis e pastores, o povo cristão se dirija à Virgem santa com maior confiança e ardor, e a Ela tribute o culto e a honra que lhe competem.
(...)
Sobretudo desejamos seja claramente evidenciado que Maria, humilde serva do Senhor, é toda relativa a Deus e a Cristo, único mediador e Redentor nosso. E igualmente sejam ilustradas a verdadeira natureza e as intenções do culto mariano na Igreja, especialmente lá onde se acham muitos irmãos nossos separados, de modo que os que não fazem parte da comunidade católica compreendam que, longe de ser fim em si mesma, a devoção a Maria é, ao contrário, meio essencialmente ordenado a orientar as almas para Cristo, e assim uni-Ias ao Pai, no amor do Espírito Santo.
ORAÇÃO
"Ó Virgem Maria Mãe da Igreja, a Ti recomendamos a Igreja toda.
Tu, «auxilium Episcoporum», protege e assiste os Bispos na sua missão apostólica e todos quantos, sacerdotes, religiosos, leigos, os coadjuvam na sua árdua tarefa.
Tu, que por teu próprio divino Filho, no momento da sua morte redentora foste apresentada como Mãe ao discípulo predilecto, lembra-te do povo cristão, que em Ti confia.
Lembra-te de todos os teus filhos; valoriza junto de Deus as suas preces; conserva-lhes sólida a fé; fortalece-lhes a esperança; aumenta-lhes a caridade!
Lembra-te dos que se acham nas tribulações, nas necessidades, nos perigos, e sobretudo dos que sofrem perseguições e se encontram encarcerados pela fé. Para esses, ó Virgem, impetra a fortaleza e apressa o suspirado dia da justa liberdade!
Olha com olhos benignos os nossos irmãos separados, e digna-te unir-nos, Tu que geraste a Cristo, ponte de união entre Deus e os homens!
Ó templo da luz sem sombra e sem mácula, intercede junto a teu Filho unigénito mediador da nossa reconciliação com o Pai, a fim de que conceda misericórdia às nossas faltas, e afaste todo o dissídio dentre nós, dando às nossas almas a alegria de amar!
Ao teu Coração Imaculado, ó Maria, recomendamos finalmente o género humano inteiro; leva-o ao conhecimento do único e verdadeiro Salvador, Jesus Cristo; afasta dele os flagelos provocados pelo pecado, dá ao mundo inteiro a paz na verdade, na justiça, na liberdade e no amor.
E faze que a Igreja toda, celebrando esta grande assembleia ecuménica, possa elevar majestoso ao Deus das misericórdias o hino do louvor e do agradecimento, o hino da alegria e da exultação, porque grandes coisas operou o Senhor por meio de Ti, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria."
«DISCURSO DO PAPA PAULO VI, Concílio Vaticano II (21 de novembro de 1964)»
[Recordamos que um recente decreto do Papa Francisco instituiu, na segunda-feira depois de Pentecostes, a Memória da Bem-aventurada Virgem, Mãe da Igreja. Trata-se do decreto Ecclesia Mater, publicado no dia 3 de março de 2018.]
Concílio Ecumenico.