08/03/2026
Carta aberta a minha mãe.
Tenho muito orgulho de poder chamar a senhora de Sacerdotisa.
Uma das coisas que mais gosto de fazer quando estou próximo a senhora é lhe observar, entender seus olhares, seus movimentos, suas palavras.
É poder aprender e usar de espelho suas atitudes, sua conduta. É aprender cada vez mais a escutar a sua fé. Fé em si, nos ancestrais, nos seus filhos, naquilo em que acredita.
É aprender que mesmo sem dizer uma única palavra, a sua presença, seus movimentos, dizem muito. Obrigada por enaltecer cada uma de nós, vivas e mortas. Bem como nos ensinar a fazer o mesmo.
Sabe mãe, ainda tenho a lembrança muito viva na minha mente da energia da sua mão na minha cabeça no ritual de mutuê, e de como lhe pedi desculpas depois, porque não conseguia nem te dar um abraço direito, pois em muito tempo só cuidando, quando somos cuidados, acho que não sabemos nem como agir direito. Naquele dia tudo mudou.
Quando a Dona Sete conversa comigo por intermédio da senhora, quando você me acolhe depois da explosão de sentimentos que tive sem entender tudo que havia sido dito a mim... É tanta coisa, que não existem letras suficientes para expressar em palavras.
No dia do Culto aqui no Sul, não conseguia conter a felicidade de ter vocês, vivos e mortos, aqui. As lágrimas de amor e felicidade não conseguiam ser contidas de maneira nenhuma, e foi um momento tão bom, de poder enaltecer meus pais, de poder tentar retribuir pelo menos um pouco de tudo aquilo que representam. Ver a força de Dona Sete preencher cada centímetro daquele salão... Sem palavras!
Obrigada mãe, por se permitir dividir mesmo que de longe, um pouco da sua essência comigo. Obrigada por ser simplesmente você.
Que um dia eu possa ser pelo menos uma fagulha dessa sua chama, para continuar honrando sempre seu nome e da sua Ancestralidade, levando aos quatro cantos do mundo a voz do poder feminino e da geração.
Amo sua vida!
Ale da Menina
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