06/07/2019
"[...]A predestinação a qual as Escrituras principalmente tratam é a que diz respeito aos homens, e é composta por duas partes, eleição e reprovação; a primeira é uma predestinação para a vida e a outra para a morte.
I. A eleição, que é uma predestinação para a vida, é um ato da livre graça de Deus, de Sua vontade soberana e imutável, pela qual desde toda a eternidade Ele escolheu em Cristo, a partir da massa comum da humanidade, alguns homens, ou um certo número deles, para participar das bênçãos espirituais aqui, e da felicidade no futuro, para a glória de Sua graça.
1. Os objetos da eleição são alguns homens, não todos, o que supõe uma escolha; se todos fossem tomados não haveria escolha; chamado, portanto, de um remanescente segundo a eleição da graça (Romanos 11:3).Trata-se de um certo número, que apesar de desconhecido para nós, quantos e quem são eles, são conhecidos por Deus; o Senhor conhece os que são Seus (2 Timóteo 2:19). E embora eles são em si uma grande multidão, que nenhum homem pode numerar (Apocalipse 7:9), no entanto, quando comparados com aqueles de quem eles são escolhidos, eles são poucos; muitos são chamados, mas poucos escolhidos (Mateus 20:16). Estes são escolhidos a partir da mesma massa comum da humanidade, seja esta considerada como corrupta ou pura; todos estavam em pé de igualdade quando a escolha foi feita; não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra (Romanos 9:21)? Estes não são nações inteiras, igrejas e comunidades, mas determinadas pessoas, cujos nomes estão escritos no livro da vida do Cordeiro; “Amei a Jacó...”; “Saudai a Rufo, eleito no Senhor”; “Como também nos elegeu nele... ” (Romanos 9:13; 16:13; Efésios 1:4), e não um conjunto de preposições, mas pessoas; não características, mas homens; ou não os homens sob tais e tais características, como crentes, santos e etc. , mas os homens como não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (Romanos 9:11).
2. Este ato da eleição, é um ato da livre graça de Deus, pois Ele não é movido por qualquer motivo ou condição no objeto escolhido; pelo que é chamado de a eleição da graça; a respeito da qual o raciocínio do apóstolo é forte e invencível; se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça.Se, porém, é pelas obras, já não é mais graça; de outra maneira a obra já não é obra (Romanos 11:5-6), é de acordo com a vontade soberana e imutável de Deus, e não de acordo com a vontade ou obras dos homens; nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade (Efésios 1:5), e novamente, verso 11, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade; portanto, está imutavelmente firme e seguro, para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama (Romanos 9:11).
3. Este ato da eleição é independentemente da fé, santidade e boas obras como causas ou condições da mesma; fé flui a partir dela; é um fruto e efeito dela, é assegurada por ela, e é tida como consequência da eleição: e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna (Atos 13:48), por isso é chamado de a fé dos eleitos de Deus (Tito 1:1), e embora a santidade seja um meio fornecido no ato da eleição, não é a sua causa; os homens são escolhidos, não porque eles são santos, mas para que eles sejam santos (Efésios 1:4), as boas obras não são anteriores, mas são consequentes à eleição; a eleição não provém das obras, como antes observado, e ela ocorreu antes que qualquer uma das boas obras fossem feitas (Romanos 9:11; 11:5-6), elas são os efeitos do decreto de Deus, e não a causa dele; Deus as preordenou para que andássemos nelas (Efésios 2:10).
4. O ato da eleição foi feito em Cristo, como a cabeça, em Quem todos os eleitos foram escolhidos, e em cujas mãos, por este ato de graça, foram colocadas as suas pessoas, graça e glória; e este é um ato eterno de Deus nEle; como também nos elegeu nEle antes da fundação do mundo (Efésios 1:4), e assim o apóstolo diz aos tessalonicenses (2 Tessalonicenses 2:13), ... vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação; não a partir da primeira pregação do Evangelho para eles, ou a partir do momento de sua conversão por meio da pregação, mas desde o início dos tempos, até mesmo desde toda a eternidade, como o termo é utilizado em Provérbios 7:23, portanto, nada feito no tempo poderia ser a causa ou a condição disso.
5. Para que os homens são escolhidos por este ato: graça aqui, e glória no porvir; todas as bênçãos espirituais, adoção, justificação, santificação, fé da verdade, e a salvação por Jesus Cristo. Salvação é o fim proposto no que diz respeito aos homens; santificação do Espírito e fé na verdade, são os meios apontados e preparados para essa finalidade.Efé- sios 1:4-5, Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para filhos de adoção...”. 2 Tessalonicenses 2:13, Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade. 1 Pedro 1:2, Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo...”. 1 Tessalonicenses 5:9: “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salva- ção, por nosso Senhor Jesus Cristo”.
6. Tanto os meios quanto o fim são seguros para os eleitos, uma vez que este é um ato da vontade imutável de Deus; estes são redimidos pelo sangue de Cristo: Ele morreu por seus pecados, e fez expiação por eles; eles são justificados pela Sua justiça, e nenhuma acusa- ção pode ser feita contra eles; eles são eficazmente chamados pela graça de Deus; eles são santificados pelo Seu Espírito; eles perseverarão até o fim, e não podem total e finalmente, ser enganados e cair, mas serão eternamente glorificados, Romanos 8:33-34: Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu... ; Romanos 8:30: E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou. Mateus 24:24: Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.
7. O fim último de tudo isso, no que diz respeito a Deus, é a Sua própria glória; a glória de todas as Suas perfeições Divinas; a glória de Sua sabedoria na formação de um tal esquema, ao estabelecer tal propósito, e preparar meios adequados para ele; a glória da Sua justiça e santidade, na redenção e salvação desses escolhidos, através do sangue, justiça e sacrifício de Seu Filho; e da glória da Sua rica graça e misericórdia demonstradas em Sua bondade para com eles por meio dEle; e a suma disso é para o louvor da glória de sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado (Efésios 1:6)"