24/06/2020
Our dear Dorothy....
Não fosse por nossa insistência em sua verdade, muitos acreditariam que a vida de Dorothy Ann Hesse não passou da louca imaginação de um contador de histórias. Nascida no interior do estado da Carolina do Norte nos Estados Unidos, ela viajou pelo mundo e ajudou os Aliados a derrotar o Eixo, desafiou o toque de recolher em Pequim durante a Segunda Guerra Mundial, visitou o que seriam os futuros Estados de Israel e da Palestina em meio aos conflitos de descolonização, viu o rápido crescimento da Noruega no pós-Guerra e salvou relíquias ortodoxas de inescrupulosos criminosos durante a queda da União Soviética.
Mas foi no Brasil que decidiu estabelecer sua morada final ao lado do seu parceiro, o diplomata José Osvaldo de Meira Penna. Do casamento proibido pelos governos brasileiro e americano, nasceram 3 filhos que, cada um a sua maneira, continuaram essa tradição de viagens e descobertas. À casa que construíram juntos deram o nome de "Castália", brincadeira oriunda de um universo de referências que só eles conseguiam compreender plenamente.
Rebelde, exploradora, pacificadora, aventureira, mãe, avó... são várias as facetas da Dona Dorothy. Optou por um dia ensolarado no Cerrado em maio de 2020 para dar-nos sua última despedida e se juntar ao seu também centenário bem-amado que, sem dúvida, já está se metendo em confusão em sua nova existência.
Quem a conheceu ainda ouvirá aquele bonito sotaque e os pequenos erros de gênero que nunca a abandonaram, detalhes grandes e pequenos que fazem muita falta a todos nós. Saibam, caros amigos, que um pouco de sua faísca mágica se encontra em cada fornada.