21/11/2016
APRESENTAÇÃO DE NOSSA SENHORA
Celebrada desde o século XIV, esta memória realça a primeira doação que Maria fez de si mesma, tornando-se modelo de toda pessoa que se consagra ao Senhor. Esta celebração antiga iniciou-se no século VI, em Jerusalém, quando da construção de uma igreja em homenagem a este mistério. A Igreja do Oriente, acolheu e conservou zelosamente as tradicionais festas marianas, reservando à apresentação de Maria uma memória particular, como um dos mistérios da vida daquela que Deus escolheu para Mãe de seu Filho Unigênito. A partir do século XVI, tornou-se uma festa da Igreja Católica do mundo inteiro.
Como o nascimento da Virgem Maria, este episódio não é narrado nas Sagradas Escrituras, mas em evangelhos apócrifos, em particular no Proto-evangelho de São Tiago, livro de Tiago, ou ainda, História do nascimento de Maria. A validade do acontecimento que lembramos possui real alicerce na Tradição que a liga à Dedicação da Igreja de Santa Maria Nova, construída em 543, perto do templo de Jerusalém.
Os manuscritos não canônicos, contam que os pais da Virgem Maria, Joaquim e Ana, não podiam ter filhos e receberam uma mensagem de que teriam um filho. Como agradecimento pela graça da filha que lhes veio, eles a levaram ainda pequena para o Templo em Jerusalém para consagrá-la a Deus. Versões posteriores da história (como no Evangelho de Pseudo-Mateus e no Evangelho da Natividade de Maria) nos contam que Maria foi levada para o Templo com cerca de três anos de idade para cumprir uma promessa feita pelos seus pais. Ainda segundo os apócrifos, a apresentação de Maria no templo não foi sem solenidade: Ela foi conduzida ao templo, acompanhada por grande número de meninas judias que seguravam tochas acesas, com a presença das autoridades de Jerusalém e entre cantos angélicos. A tradição conta que ela permaneceu ali para se preparar para o seu futuro papel como Mãe de Deus (Theotokos em grego). Foi de fato através deste serviço ao Senhor no Templo que Maria preparou o seu corpo, mas sobretudo a sua alma, para receber o Filho de Deus, realizando em si mesma a palavra de Cristo: “Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”.
Tanto no Oriente, quanto no Ocidente observamos esta celebração mariana nascendo do meio do povo e com muita sabedoria sendo acolhida pela Liturgia Católica, por isso esta festa aparece no Missal Romano a partir de 1505, onde busca exaltar a Jesus através daquela muito bem soube isto fazer com a vida, como partilha Santo Agostinho, em um dos seus Sermões:
“Acaso não fez a vontade do Pai a Virgem Maria, que creu pela fé, pela fé concebeu, foi escolhida dentre os homens para que dela nos nascesse a salvação; criada por Cristo antes que Cristo nela fosse criado? Fez Maria totalmente a vontade do Pai e por isto mais valeu para ela ser discípula de Cristo do que mãe de Cristo; maior felicidade gozou em ser discípula do que mãe de Cristo. E assim Maria era feliz porque já antes de dar à luz o Mestre, trazia-o na mente”.
Foi no dia 21 de novembro de 1964 que o Papa Paulo VI, na clausura da 3ª Sessão do Concílio Vaticano II, consagrou o mundo ao Coração de Maria e declarou Nossa Senhora Mãe da Igreja.
Nossa Senhora da Apresentação, rogai por nós!