20/02/2026
O evangelho de hoje nos recorda que a vida cristã nasce de um encontro vivo com Jesus, e não primeiro de práticas ou regras.
Os discípulos de João perguntam por que eles e os fariseus jejuam, enquanto os discípulos de Jesus não o fazem.
A resposta de Jesus mostra o centro da fé: Ele é o Noivo, Aquele que traz a alegria e a presença de Deus entre nós. Enquanto o Noivo está com seus amigos, não há lugar para o luto; por isso, o jejum não fazia sentido naquele momento.
Mas chegará o tempo em que o Noivo será tirado, uma referência à sua paixão e morte, e então o jejum voltará a ser expressão de busca e saudade do Senhor.
Esse texto nos ensina que o jejum é um gesto profundamente relacional: não é mera obrigação religiosa, mas expressão de amor. Jejuar é abrir espaço interior para Deus, é ordenar nossos afetos, é libertar-se do que pesa e atrapalha o coração. Muitas vezes carregamos excessos: a pressa, o consumo, a ansiedade, a irritação, a dispersão, a falta de escuta. Jejuar é desacelerar e reencontrar o essencial.
Quando Jesus fala do tempo em que o Noivo será tirado, também toca nossas experiências pessoais: momentos de aridez espiritual, dor, ausência, perda de sentido.
Nessas horas, o coração se volta para Deus com mais intensidade. O jejum, então, se transforma em caminho de retorno, de purificação e de esperança. Ele nos ajuda a perceber o que rouba o lugar de Deus em nossa vida e a recuperar a centralidade do amor.
Por fim, o jejum verdadeiro não se separa da caridade. Todo gesto que nos aproxima de Deus deve também nos aproximar dos outros. Jejuar de comida, mas alimentar a impaciência, o julgamento ou a indiferença, torna o jejum incoerente.
O jejum que agrada ao Senhor é aquele que abre os olhos para a dor dos pobres, fortalece a solidariedade e torna o coração mais sensível.
Que este evangelho nos conduza a viver nossas práticas espirituais como resposta de amor ao Noivo que nos chamou para caminhar com Ele.