21/07/2019
A QUESTÃO DA COMEMORAÇÃO DOS ANIVERSÁRIOS NATALÍCIOS
"Quem contesta é que deve expor as suas razões…"
Neste sentido, as testemunhas de Jeová contestando as comemorações de aniversários por acreditarem que Deus considera essas celebrações como algo errado, embora reconheçam que na Bíblia não contém nenhuma ordem directa, apresentam uma série de razões pelas quais não comemoram os aniversários natalícios, as quais serão analisadas e refutadas nesse artigo.
Em primeiro lugar, vale dizer que "comemorar ou não aniversários" não é relevante para a
salvação.
Segundo, uma vez que a Bíblia não ordena directamente que se comemore os aniversários, nem proíbe claramente, fazê-lo (ou não), deve ser facultativo, desde que quem o faça seja em gesto de agradecimento a Deus pelo dom da vida e de forma ordeira (sem excessos).
Agora assim, analisemos as ideias centrais contidas em cada uma das 4 razões, seguidas das respectivas réplicas:
1ª RAZÃO: A origem dos aniversários é pagã. A comemoração surgiu porque as pessoas
acreditavam que, no dia do aniversário de alguém, "influências e espíritos maus tinham a oportunidade de prejudicar os aniversariantes" e que "a presença de amigos e os cumprimentos de "muitas felicidades‘ ajudavam a proteger o aniversariante".
Segundo o livro "A Tradição dos Aniversários Natalícios", antigamente, o registo das datas de nascimento era "essencial para montar um horóscopo" baseado na "ciência mística da astrologia". O livro também acrescenta que, "na crença popular, velas de aniversário têm o poder mágico de realizar desejos".
No entanto, a Bíblia condena o uso de magia, adivinhação, espiritismo ou "coisas
semelhantes a estas". (Dt 18, 14; Gl 5, 19-21).
RÉPLICA: As testemunhas de Jeová usam frequentemente o argumento de que tudo o que é de origem pagã é errado (ou anti-bíblico), com base nisso, rejeitam muitos costumes e práticas religiosas católicas (principalmente o Natal que tem estreita relação com essa matéria), eis que chegou a hora de esclarecer [definitivamente] isso:
Um estudioso avançado da bíblia sabe que os [próprios] ESCRITORES BÍBLICOS não
hesitaram em pedir emprestadas tradições religiosas e folclore1do Médio Oriente Antigo,
particularmente da Mesopotâmia, do Egipto e da Fenícia. As descobertas arqueológicas dos últimos cem anos revelaram muitas semelhanças entre a Literatura dos vizinhos de Israel e o Génesis, particularmente nos primeiros onze capítulos onde se usa a linguagem mitológica.
Os israelitas não copiam simplesmente mas reelaboram e modificaram os mitos para fazer deles uma expressão literária adequada a sua fé religiosa, que se baseava na aliança com
Javé, o seu Deus.
Portanto, aquilo que os pagãos diziam dos seus deuses podia ser atribuído ao Deus de Israel, desde que fosse purificado do politeísmo. Esta adaptação das lendas populares aplicando-as ao Deus verdadeiro foi certamente um trabalho lento e penoso, não isento de polémicas e dificuldades.
Este fenómeno não se verificou apenas neste campo. Estendeu-se a muitos outros. A CIRCUNCISÃO era um rito de fecundidade e de iniciação, (usado ainda hoje por alguns
povos), a religião judaica assumiu-a e ela transformou-se no sinal da aliança, iniciando a pertença ao povo de Deus. A PÁSCOA e o PENTECOSTES eram festas agrícolas e
pastoris, festas das novas crias, das primeiras espigas e da ceifa. A religião de Israel tomou-as e transformou-as em festas da História da Salvação.
Nessa ordem de ideia, lá por volta do ano 350 da nossa era, os CRISTÃOS mudaram o nome
e o sentido da «Festa do nascimento do Sol» celebrada na cidade de Roma (pelos pagãos),
Em 25 de Dezembro e fixaram neste dia a celebração do Natal de Jesus, porque diziam é Ele o verdadeiro sol. A luz, que ilumina todo o homem. [cf. Malaquias 4,2] (lembremos que,
desde os primeiros anos do cristianismo, os cristãos viam no sol uma metáfora de Jesus
Cristo. Afinal, é do sol que nos vem a vida, e é ele quem, com sua luz, expulsa as trevas da
noite. Portanto, a razão pela qual a fixação do Natal insere-se no mesmo dia do "Sol Invicto"
não é nem aliança do cristianismo com o paganismo, nem uma manifestação de fraqueza da Igreja diante do paganismo. Ao contrário, trata-se de uma solene declaração da vitória da fé cristã sobre o politeísmo pagão. Cristo e a Igreja triunfam, enquanto os falsos deuses são derrotados pelo esplendor da verdade.
2ª RAZÃO: Os primeiros cristãos não comemoravam aniversários. A Bíblia mostra que os apóstolos e outros que foram ensinados directamente por Jesus estabeleceram um padrão que
todos os cristãos devem seguir. (2 Ts 3, 6).
RÉPLICA: Se as TJ (e os demais) tivessem realmente os primeiros cristãos como modelo
seriam católicos, ouviriam os Bispos católicos (em matéria de fé e moral) que são os sucessores legítimos dos apóstolos
a quem Jesus ordenara que ouvissem (Lc 10, 16). Tal como vivia a comunidade cristã
primitiva: «Eram assíduos aos ENSINOS dos Apóstolos, à UNIÃO fraterna, à FRACÇÃO DO
PÃO e às ORAÇÕES». (Act 2, 42).
3ª RAZÃO: «A única coisa que a Bíblia diz que os cristãos têm a obrigação de comemorar
não está relacionada a um nascimento, mas a uma morte: a de Jesus. (Lucas 22:17-20) Isso
não deveria nos surpreender, porque a Bíblia diz que "o dia da morte é melhor do que o dia
em que se nasce". (Eclesiastes 7:1) No fim de sua vida na Terra, Jesus tinha feito um bom
nome para com Deus e, por isso, o dia de sua morte foi mais importante do que o dia de seu nascimento. — Hebreus 1:4.»
RÉPLICA: De facto a MORTE e RESSURREIÇÃO de Cristo constitui o facto central da fé
dos cristãos (I Cor 15, 14), isso não anula as passagens bíblicas que sugerem que
comemoremos o nascimento de Cristo, vejamos: "Não temais, EIS QUE VOS ANUNCIO
UMA BOA NOVA QUE SERÁ ALEGRIA PARA TODO O POVO: hoje vos NASCEU na
Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: achareis um
recém-nascido envolto em faixas e posto numa manjedoura.” (Lc 2, 10 – 12).
Já no Antigo Testamento, em Is 9, se afirmava que os cristãos devessem festejar este
nascimento, num texto dos mais belos das Escrituras:
“O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma
região tenebrosa resplandeceu uma luz. VÓS SUSCITAIS UM GRANDE REGOZIJO,
PROVOCAIS UMA IMENSA ALEGRIA; REJUBILAM-SE DIANTE DE VÓS como na
alegria da colheita, como exultam na partilha dos despojos. (…) PORQUE UM MENINO
NOS NASCEU, UM FILHO NOS FOI DADO; a soberania repousa sobre seus ombros, e
ele se chama: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz.”
Como se vêem, meus caros leitores, os cristãos (o povo que caminhava nas trevas, mas sobre o qual brilhou a luz de Deus, segundo Cl 1, 13) festejam o nascimento de Cristo.
Um leitor avançado saberia que no AT a "alegria da colheita" e a "partilha dos despojos" de uma guerra eram celebradas com festas públicas e públicas manifestações de alegria.
O nascimento do "Menino que nos foi dado" requer, de nossa parte, uma celebração. Uma
manifestação pública de alegria. E o Natal é o cumprimento desta profecia.
F**a claro, portanto, ainda que de uma forma indirecta, foi o próprio Deus quem determinou
que se celebrasse o nascimento de Seu Filho. E o fez por meio das passagens bíblicas acima apresentadas (Is 9; Lc 2, 10 – 12; Cl 1, 13).
4ª RAZÃO: A Bíblia não diz que algum servo de Deus comemorou aniversário. Não se trata
de uma simples omissão, porque ela menciona a comemoração de dois aniversários de
pessoas que não serviam a Deus. Mas esses dois eventos são apresentados de uma forma
negativa. — Gênesis 40:20-22; Marcos 6:21-29.
RÉPLICA: bem, jugo que os meus argumentos anteriores são suficientes para REFUTAR
esse ponto e qualquer outra razão que as TJ tenham, por isso é escusado fazer quaisquer
outros comentários sob pena de ser demasiado repetitivo e tornar o texto mais extenso do que já está.
PAZ E BEM!
Por: Manuel da Costa
Co-fundador por portal ABC da Igreja
1- folclore, conjunto de costumes, lendas, provérbios, manifestações artísticas em geral, preservado por um povo ou grupo
populacional, por meio da tradição oral;