Grupo de Acólitos da Paróquia de São Clemente de Alexandria

Grupo de Acólitos da Paróquia de São Clemente de Alexandria Esta página representará o grupo de Acólitos do centro são João Baptista no mundo virtual. Aqui encontraremos debates, rubricas, informações,e muito mais.

Data: 05 de Maio de 2025Descanse em Paz nosso eterno Coordenador e Conselheiro. 🖤🕊️
04/05/2025

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01/11/2022
04/10/2022

São Francisco de Assis

São Francisco de Assis nasceu em Assis, Itália, em 1182. Era filho de Pedro Bernardone, um rico comerciante, e Pia, de família nobre da Provença. Na juventude, Francisco era muito rico e esbanjava dinheiro com ostentações. Porém, os negócios de seu pai não lhe despertaram interesse, muito menos os estudos. O que ele queria mesmo era se divertir. Porém, São Boaventura, seu contemporâneo, escreveu sobre ele: “Mas, com o auxílio divino, jamais se deixou levar pelo ardor das paixões que dominavam os jovens de sua companhia”.

Vida de São Francisco

Na juventude de Francisco, por volta de seus vinte anos, uma guerra começou entre as cidades italianas chamadas Perugia e Assis. Ele queria combater em Espoleto, entre Assis e Roma, mas caiu enfermo. Durante a doença, Francisco ouviu uma voz sobrenatural. Esta lhe pedia para ele "servir ao amor e ao Servo". Pouco a pouco, com muita oração, Francisco sentiu em seu coração a necessidade de vender seus bens e “comprar a pérola preciosa” sobre a qual ele lera no Evangelho.

Certa vez, ao encontrar um leproso, apesar da repulsa natural, venceu sua vontade e beijou o doente. Foi um gesto movido pelo Espírito Santo. A partir desse momento, ele passou a fazer visitas e a servir aos doentes que sem encontravam nos hospitais. Aos pobres, presenteava com suas próprias roupas e também com o dinheiro que tivesse no momento.

O Chamado

Num dia simples, mas muito especial, num momento em que Francisco rezava sozinho na Igreja de São Damião, em Assis, ele sentiu que o crucifixo falava com ele, repetindo por três vezes a frase que ficou famosa: "Francisco, repara minha casa, pois olhas que está em ruínas". O santo vendeu tudo o que tinha e levou o dinheiro ao padre da Igreja de São Damião, e pediu permissão para viver com ele. Francisco tinha vinte e cinco anos.

Pedro Bernardone, ao saber o que seu filho tinha feito, foi busca-lo indignado, levou-o para casa, bateu nele e acorrentou-o pelos pés. A mãe, porém, o libertou na ausência do marido, e o jovem retornou a São Damião. Seu pai foi de novo buscá-lo. Mandou que ele voltasse para casa ou que renunciasse à sua herança. Francisco então renunciou a toda a herança e disse: "As roupas que levo pertencem também a meu pai, tenho que devolvê-las". Em seguida se desnudou e entregou suas roupas a seu pai, dizendo-lhe: “Até agora tu tem sido meu pai na terra, mas agora poderei dizer: ‘Pai nosso, que estais nos céus”.

Renúncia de São Francisco de Assis

Para reparar a Igreja de São Damião, Francisco pedia esmola em Assis. Terminado esse trabalho, começou reformar a Igreja de São Pedro. Depois, ele retirou-se para morar numa capela com o nome de Porciúncula. Ela fazia parte daabadia de Monte Subasio, cuidada pelos beneditinos. Ali o céu lhe mostrou o que realmente esperava dele.

O trecho do Evangelho da Missa daquele dia dizia: "Ide a pregar, dizendo: o Reino de Deus tinha chegado. Dai gratuitamente o que haveis recebido gratuitamente. Não possuas ouro, nem duas túnicas, nem sandálias...” A estas palavras, Francisco tirou suas sandálias, seu cinturão e ficou somente com a túnica.

Milagres de São Francisco de Assis

Deus lhe concedeu o dom da profecia e o dos milagres. Quando Francisco pedia esmolascom o fim de restaurar a Igreja de São Damião, ele dizia: "Um dia haverá ali um convento de religiosas, em cujo nome se glorif**ará o Senhor e a Igreja". A profecia se confirmou cinco depois com Santa Clara e suas religiosas. Ao curar, com um beijo, o câncer que havia desfigurado o rosto de um homem, São Boaventura comentou para São Francisco de Assis: "Não se há que admirar mais o beijo do que o milagre?"

Fundação da Ordem dos Frades Menores (O.F.M.)

Francisco começou a anunciar a verdade, no ardor do Espírito de Cristo. Convidou outros a se associarem a ele na busca da perfeita santidade, insistindo para que levassem uma vida de penitência. Alguns começaram a praticar a penitência e em seguida se associaram a ele, partilhando a mesma vida. O humilde São Francisco de Assis decidiu que eles se chamariam Frades Menores.

Surgiram assim os primeiros 12 discípulos que, segundo registram alguns documentos, “foram homens de tão grande santidade que, desde os Apóstolos até hoje, não viu o mundo homens tão maravilhosos e santos”. O próprio Francisco disse em testamento: “Aqueles que vinham abraçar esta vida, distribuíam aos pobres tudo o que tinham. Contentavam-se só com uma túnica, uma corda e um par de calções, e não queriam mais nada”. Os novos apóstolos reuniram-se em torno da pequena igreja da Porciúncula, ou Santa Maria dos Anjos, que passou a ser o berço da Ordem.

A nova ordem religiosa de São Fracisco de Assis

Em 1210, quando o grupo contava com doze membros, São Francisco de Assis redigiu uma regra pequena e informal. Esta regra era, na sua maioria, os conselhos de Jesus para que possamos alcançar a perfeição. Com ela foram à Roma apresentá-la ao Sumo Pontífice. Lá, porém,relutavam em aprovar a nova comunidade. Eles achavam que o ideal de Francisco eramuito rígidoa respeito da pobreza. Por fim, porém, um cardeal afirmou: "Não podemos proibir que vivam como Cristo mandou no Evangelho".

Receberam a aprovação e voltaram a Assis, vivendo na pobreza, em oração, em santa alegria e grande fraternidade, junto a Igreja da Porciúncula. Mais tarde, Inocêncio III mandou chamar São Francisco de Assis e aprovou a regra verbalmente. Logo em seguida o papa impôs a eles o corte dos cabelos, e lhes enviou em missão de pregarem a penitência.

São Francisco de Assis, um exemplo de vida

São Francisco de Assis manifestava seu amor a Deus por uma alegria imensa, que se expressava muitas vezes em cânticos ardorosos. A quem lhe perguntava qual a razão de tal alegria, respondia que “ela deriva da pureza do coração e da constância na oração”.

A santidade de São Francisco de Assis lhe angariou muitos discípulos e atraiu também uma jovem, filha do Conde de SassoRosso, Clara, de 17 anos. Desde o momento em que o ouviu pregar, compreendeu que a vida que ele indicava era a que Deus queria para ela. Francisco tornou-se seu guia e pai espiritual. Nascia assim a Ordem Segunda dos Franciscanos, a das Clarissas. Depois, Inês, irmã de Clara, a seguia no claustro; mais tarde uma terceira, Beatriz se juntou a elas.

Sabedoria divina

Certa vez, São Francisco de Assis, sentindo-se fortemente tentado pela impureza, deitou-se sem roupas sobre a neve. Outra vez, num momento de tentação ainda mais violenta, ele rolou sobre espinhos para não pecar e vencer suas inclinações carnais.

Sua humildade não consistia simplesmente no desprezo sentimental de si mesmo, mas na convicção de que "ante os olhos de Deus o homem vale pelo que é e não mais". Considerando-se indigno do sacerdócio, São Francisco de Assis apenas chegou a receber o diaconato. Detestava de todo coração o exibicionismo.

Uma vez contaram-lhe que um dos irmãos amava tanto o silêncio que até quando ia se confessar, fazia-o por sinais. São Francisco respondeu desgostoso:"Isso não procede do Espírito de Deus, mas sim do demônio; é uma tentação e não um ato de virtude". Francisco tinha o dom da sabedoria. Certa vez, um frade lhe pediu permissão para estudar. Francisco respondeu que, se o frade repetisse com amor e devoção a oração "Glória ao Pai", se tornaria sábio aos olhos de Deus. Ele mesmo, Francisco, era um grande exemplo da sabedoria dessa maneira adquirida.

São Francisco de Assis e os animais

A proximidade de Francisco com a natureza sempre foi a faceta mais conhecida deste santo. Seu amor universalista abrangia toda a Criação, e simbolizava um retorno a um estado de inocência, como Adão e Eva no Jardim do Éden.

Os estigmas de São Franscisco de Assis

Dois anos antes de sua morte, tendo Francisco ido ao Monte Alverne em companhia de alguns de seus frades mais íntimos, pôs-se em oração fervorosa e foi objeto de uma graça insigne.

Na figura de um serafim de seis asas apareceu-lhe Nosso Senhor crucif**ado que, depois de entreter-se com ele em doce colóquio, partiu deixando-lhe impressos no corpo os sagrados estigmas da Paixão. Assim, esse discípulo de Cristo, que tanto desejara assemelhar-se a Ele, obteve mais este traço de similitude com o Divino Salvador.

Devoção a São Francisco de Assis

No verão de 1225, Francisco esteve tão enfermo, que o cardeal Ugolino e o irmão Elias o levaram ao médico do Papa, em Rieti. São Francisco de Assis perguntou a verdade e lhe dissessem que lhe restava apenas umas semanas de vida. "Bem vinda, irmã Morte!", exclamou o santo.

Em seguida pediu para ser levado à Porciúncula. Morreu no dia três de outubro de 1226, com menos de 45 anos, depois de escutar a leitura da Paixão do Senhor. Ele queria ser sepultado no cemitério dos criminosos, mas seus irmãos o levaram em solene procissão à Igreja de São Jorge, em Assis.

Ali esteve depositado até dois anos depois da canonização. Em 1230, foi secretamente trasladado à grande basílica construída pelo irmão Elias. Ele foi canonizado apenas dois anos depois da morte, em 1228, pelo Papa Gregório IX. Sua festa é celebrada em 04 de outubro.

Oração a São Francisco de Assis

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.

Onde houver ódio, que eu leve o amor;

Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;

Onde houver discórdia, que eu leve a união;

Onde houver dúvida, que eu leve a fé;

Onde houver erro, que eu leve a verdade;

Onde houver desespero, que eu leve a esperança;

Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;

Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, Fazei que eu procure mais

Consolar, que ser consolado;

compreender, que ser compreendido;

amar, que ser amado.

Pois, é dando que se recebe,

é perdoando que se é perdoado,

e é morrendo que se vive para a vida eterna

04/10/2022

O BEIJO DO ALTAR

A Instrução Geral do Missal Romano nos diz: “Conforme uso sagrado, a veneração do altar e do Evangeliário é feita pelo ósculo (beijo)” (IGMR, 273).

Notaram que o beijo é dado no altar e no Evangeliário. Por que já falamos disso uma vez. “A Missa consta, por assim dizer, de DUAS PARTES, a saber, a liturgia da palavra e a liturgia eucarística, tão intimamente unidas entre si, que constituem um só ato de culto” (IGMR, 28; Dei Verbum, 21).

O Evangeliário representa a Liturgia da Palavra, a Mesa da Palavra; enquanto o altar representa a Liturgia Eucarística. O beijo une estas duas partes, estas duas mesas para ser um ato só de culto.

A Instrução Geral do Missal Romano nos diz que o sacerdote e o diácono beijam o altar “no início da celebração” (IGMR, 49; 123; 173...) e “no final da celebração” (IGMR, 90; 169; 186). Notem bem que só beijam o altar quem recebeu o Sacramento da Ordem: diácono, padre, bispo. Os leigos não beijam o altar. Quando é feita uma Celebração da Palavra com Ministros Leigos, estes NÃO beijam o altar.

O beijo é, verdadeiramente, um dos gestos mais universalmente utilizados em nossa via social. Na liturgia tem um “sinal de veneração” (IGMR, 273).

Expressa, simbolicamente, o apreço que se tem pela “Mesa do Senhor”, a mesa em que a Eucaristia irá se realizar e onde vamos ser convidados a participar do Corpo e Sangue do Senhor. É como uma saudação simbólica, feita de fé e de respeito, ao começar a celebração.
O sacerdote, o diácono apoiam ambas as mãos sobre o altar, como que num abraço a Cristo e vagarosamente deposita ali o beijo.
O altar é um lugar elevado, feito de madeira, de pedra ou metal, fixo ou móvel. Sobre ele apresenta-se a Deus Pai o memorial do Corpo e Sangue de seu Filho Jesus. Além de signif**ar o lugar (ara) do sacrifício, também simboliza a mesa da refeição, porque a Eucaristia foi instituída durante uma ceia, em torno da mesa.

A pedra do altar faz-nos lembrar o próprio Cristo, aquela pedra que “os construtores rejeitaram, mas que tornou-se a pedra angular” (Sl 18,2; Mt 21,42; At 4,11), rocha espiritual.

No Prefácio da Páscoa nos rezamos: “Pela oblação de seu corpo, pregado na Cruz, levou à plenitude os sacrifícios antigos. Confiante, entregou em vossas mãos seu espírito, cumprindo inteiramente vossa santa vontade, revelando-se, ao mesmo tempo, sacerdote, ALTAR e cordeiro”.

O beijo é expressão de carinho e amor. É o toque mais intenso que podemos nos ofertar, mutuamente. Neste beijo, que é um gesto extremamente signif**ativo, o sacerdote toca em Cristo para assimilar sua força e seu amor. Isso quer dizer que não é ele pessoalmente que celebra a Eucaristia, mas que a faz apenas, a partir da força e do amor de Cristo.
Expressa sua relação íntima com o Senhor, pois é em nome Dele que irá presidir a Eucaristia - “In persona Christis capitis” - na pessoa do Cristo-Cabeça (Catecismo da Igreja Católica, 1548). É uma respiração da atmosfera divina, um beber da fonte da vida.
Tem que ser um gesto realmente mistagógico, que nos leva para dentro do mistério celebrado.

Podemos ainda dizer que, como o altar simboliza o Cristo e o presidente o beija em nome da comunidade reunida, é um beijo de saudação e de amor entre o Esposo (Cristo) e a Esposa (Igreja – comunidade reunida).
O beijo que o padre dá no altar tem que ser carregado de toda esta mistagogia e que a comunidade se sinta beijada naquele momento.

Você se sente beijado(a) quando o padre beija o altar?

Por isso nossa liturgia é rica em sinais mistagógicos, ou seja, que nos levam para dentro do mistério celebrado. Você já imaginou que um simples “gesto litúrgico” do beijo do altar poderia conter todo este rico sentido teológico e litúrgico?


Pe. Ocimar Francatto

04/10/2022

Ele não se chamava Francisco e mais 4 curiosidades sobre São Francisco de Assis

Entre elas: ele foi prisioneiro de guerra e teve os estigmas da Paixão de Cristo

1 – Seu nome era João

São Francisco de Assis foi batizado como João – ou, em italiano, Giovanni. Seu nome completo era Giovanni di Pietro di Bernardone. E de onde veio o apelido Francisco? Não se sabe com absoluta certeza, mas teve a ver com a forte relação da família com a França. O pai de João, Pietro di Bernadone dei Moriconi, mantinha negócios comerciais na região francesa da Provença. Como o pequeno João tivesse grande estima pela cultura, poesia, música e povo da França, seu pai o teria apelidado de “Francesco”, algo como “de jeito francês” ou “francesinho”. Também poderia ter sido um apelido carinhoso em homenagem à mãe de João, cujas origens familiares eram francesas.

2 – São Francisco foi prisioneiro de guerra

Antes de se converter, Francisco entrou no exército por volta dos 19 anos de idade e lutou numa guerra entre a sua cidade, Assis, e a vizinha Perugia, da qual caiu prisioneiro. Só foi libertado depois de ser mantido refém durante nada menos que um ano.

3 – A Porciúncula era a igrejinha de especial predileção de São Francisco

São Francisco dedicou grande empenho e alegria na tarefa de reconstruir igrejas e capelas em ruínas. Não se sabe quantas ele reformou ou reconstruiu, mas é muito bem sabido que a igrejinha que mais o encantava era a assim chamada “Porciúncula”. Esta palavra signif**a “porçãozinha”, “partezinha”, e se refere ao fato de que essa pequena igreja f**ava ao lado de uma construção maior, da qual fazia parte.

A igrejinha foi a segunda morada de São Francisco e dos seus primeiros frades. No Domingo de Ramos de 1211, foi lá que São Francisco recebeu a profissão religiosa de Santa Clara, dando assim origem à congregação das clarissas, de inspiração franciscana. A Porciúncula foi ainda o local em que, na tarde de 3 de outubro de 1226, São Francisco partiu deste mundo para a Casa do Pai. O santo havia dedicado a Porciúncula a Santa Maria dos Anjos. Ela hoje f**a dentro da grande Basílica de Assis, construída entre os séculos XVI e XVII..

4 – São Francisco recebeu os estigmas de Cristo

Os estigmas são uma graça mística rara e especialíssima que consistem no aparecimento (e no sofrimento) das feridas de Cristo sobre o próprio corpo. Um santo recente que os recebeu foi São Pio de Pietrelcina, o Padre Pio, e há registros documentais desse fenômeno sobrenatural impressionante. No caso de São Francisco, um frade que o acompanhava testemunhou: “De repente, ele teve a visão de um serafim, um anjo de seis asas em uma cruz. Este anjo lhe deu o dom das cinco chagas de Cristo”.

Aconteceu durante um jejum de 40 dias que São Francisco fez em 1224 no Monte Alvernia. Ele queria com isto se preparar melhor para a grande festa de São Miguel, o Arcanjo guerreiro de Deus, no dia 29 de setembro.

5 – A célebre “Oração de São Francisco” não foi escrita por São Francisco

Mas, no tocante a essa oração, ele fez algo muito mais importante do que escrevê-la.

01/10/2022

CULTO MARIANO
Outubro: Carta Encíclica Marialis Cultus

O desenvolvimento, por nós auspiciado, da devoção para com a Virgem Maria, inserida, conforme acima aludimos, no álveo do único culto que, com razão e justeza, é chamado "cristão", pois de Cristo se origina e assume eficácia, em Cristo encontra completa expressão e por meio de Cristo, no Espírito, conduz ao Pai, é elemento qualif**ante da genuína piedade da Igreja. Por uma necessidade íntima, de fato, essa piedade reflete, na prática cultual, o plano redentor de Deus; pelo que, ao lugar singular que coube a Maria em tal plano, corresponde também um culto singular para com ela (LG 66); como, ainda, a todo o progresso autêntico do culto cristão segue-se necessariamente um correto incremento da veneração para com a Mãe do Senhor. De resto, a história da piedade demonstra que "as diversas formas de devoção para com a Mãe de Deus, que a Igreja aprovou, dentro dos limites da doutrina sã e ortodoxa" (LG 66) se desenvolvem em subordinação harmônica ao culto de Cristo, e gravitam à volta deste, qual ponto de referência natural e necessário das mesmas. Também na nossa época assim sucede. A reflexão da Igreja contemporânea, sobre o mistério de Cristo e sobre a sua própria natureza, levou-a a encontrar, na base do primeiro e como coroa da segunda, a mesma figura de mulher: a Virgem Maria, precisamente, enquanto ela é Mãe de Cristo e Mãe da Igreja. E o acrescido conhecimento da missão de Maria transmutou-se em veneração repassada de alegria, para com ela, e em respeito de adoração para com o sapiente desígnio de Deus, que colocou na sua família - a Igreja - como em todo e qualquer lar doméstico, a figura de uma mulher, que, escondidamente e em espírito de serviço, vela pelo seu bem e "benignamente" protege, na sua caminhada em direção à Pátria, até que chegue o dia glorioso do Senhor".

Nos nossos tempos, as mudanças que se operaram nos costumes sociais, na sensibilidade dos povos, nos modos de expressar-se da literatura e das artes e nas formas de comunicação social, influíram também sobre as manifestações do sentimento religioso. Certas práticas cultuais, que em tempos não distantes pareciam aptas para exprimir o mesmo sentimento religioso dos indivíduos e das comunidades cristãs, aparecem hoje como insuficientes e inadequadas, porque ligadas a esquemas sócio-culturais do passado, ao mesmo tempo que, em muitas partes, se vão buscando novas formas expressivas da imutável relação das criaturas com o seu Criador, dos filhos com o seu Pai. Ora, isto pode provocar em alguns uma desorientação momentânea; no entanto, quem com espírito confiante em Deus, refletir sobre tais fenômenos, descobrirá que muitas tendências da piedade contemporânea, a interiorização do sentimento religioso, por exemplo, estão destinadas a concorrer para o progresso da mesma piedade cristã em geral, e da piedade para com a Virgem Santíssima em particular. Deste modo, a nossa época, no atender fielmente à tradição, e ao considerar atentamente os progressos da teologia e das ciências, contribuirá para o louvor daquela, a quem, segundo as suas proféticas palavras, haveriam de chamar bem-aventurada todas as gerações (cf. Lc 1,48).

Carta Encíclia Marialis Cultos, de São Paulo VI, publicada em 2 de fevereiro de 1974.

30/09/2022

𝐌Í𝐒𝐓𝐈𝐂𝐀, 𝐌𝐈𝐒𝐓𝐀𝐆𝐎𝐆𝐈𝐀 𝐄 𝐋𝐈𝐓𝐔𝐑𝐆𝐈𝐀: 𝐏𝐨𝐫 𝐮𝐦𝐚 𝐞𝐱𝐩𝐞𝐫𝐢ê𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐯𝐢𝐯𝐞𝐧𝐜𝐢𝐚𝐥

O Povo de Deus – a Igreja – precisa sempre embeber-se do Mistério divino. Numa dinâmica mistagógica que possibilita sentir o sabor da fé e da vida nas celebrações litúrgicas. Este é um signif**ativo passo para não se estagnar em um conhecimento puramente teórico do Crucif**ado/Ressuscitado. Sendo assim, se o homem não mergulha no Mistério de Deus, ele corre o risco de não responder a sua vocação batismal: ser um em-com-por Cristo. A linguagem da liturgia é a mistagogia! É um método condutor, vivo e dinâmico, que não deixa a espiritualidade da assembleia se embotar, nem perder seu brilho teológico e litúrgico.

Paralelamente, nota-se na atual conjuntura eclesial um ‘sentimento coletivo’ de “cansaço”. Muitas lideranças e agentes de pastorais se queixam da participação dos fiéis nas atividades comunitárias. Por muitas vezes, a assembleia se apresenta como “fria” e sem expressão ativa. Assim, os projetos não caminham, os membros de pastorais e movimentos conservam suas estruturas e não apresentam perspectivas de novas ações.

Direcionando um pouco mais o olhar em alguns aspectos da realidade eclesial, nota-se que também há ministros ordenados e coordenadores de pastorais/comunidades com sede e ânsia no trabalho paroquial/comunitário. Isso é louvável! No entanto, em contra partida, nestes intentos não há mística e nem mistagogia na espiritualidade. Sendo que, muitos são os carismas dentro da comunidade, mas sem a espiritualidade – que é o próprio Jesus Cristo – o carisma não se sustenta.

Wellistony (2013) apresenta uma questão pertinente frente a tudo isso: Os padres – e acrescento: os líderes e agentes de pastorais – precisam ser “místicos”. Atualmente, muitos leigos estão “avançando para águas mais profundas”. Estão procurando crescer e aprofundar a dimensão espiritual da vida. Enquanto isso, os responsáveis pelas comunidades estão f**ando à margem vendo os “barcos” se distanciarem. Uma vez distantes, como novamente se aproximar quando se está em ‘alto mar’?!

Existem leigos sedentos, mas convém ressaltar que também há aqueles que não assumem um compromisso na comunidade. Muitos são os ministros ativos e conscientes, mas em contra partida, existem aqueles que entraram no modismo do “cansaço”. E estes, por sua vez, são um grupo signif**ante. Não se justif**a, mas, como exigir da comunidade se as próprias lideranças não experimentam o Mistério!? Como falar do Mistério se os próprios ministros não o vivencia?!

Karl Rahner parece estar certo quando afirmou que “no futuro o cristão ou será místico ou não será cristão”. Mas isso não exime a responsabilidade do leigo em agir de modo ativo, pleno e consciente sua própria vocação batismal. Se antes do Vaticano II os fiéis não participavam ativamente da divina liturgia porque o rito era em latim, era muito diferente da cultura local, porque o ministro se colocava distante do povo... E hoje, por que será?


Viver o Mistério também é acreditar em uma “liturgia contemplativa”, onde o interior dos fiéis se expressam na voz da assembleia.

Acredito que quando os fiéis pedem uma missa diferente e animada, não é exatamente isso que querem dizer. Porque podem até celebrar uma missa ‘bem animada’ cheia de firulas, no entanto, provavelmente no próximo mês estarão pedindo outra coisa diferente... Quando os fiéis pedem algo assim, somente estão usando da linguagem que está ao seu alcance. Mas, na verdade, o que querem dizer é que faltam às celebrações um caráter místico e mistagógico, faltam sabor e vivacidade. A perfeita liturgia é só no Céu! Mas, quem disse que aqui na terra, em nossas celebrações litúrgicas, não podemos sentir o perfume do Céu?!

Viver o Mistério também é acreditar em uma “liturgia contemplativa”, onde o interior dos fiéis se expressam na voz da assembleia. A intimidade pessoal com Deus gera na liturgia uma experiência coletiva que se manifestará na escuta da Palavra, no silêncio, nos cantos, na Eucaristia, na oração e na partilha. É preciso resgatar uma experiência pessoal na liturgia, longe do intimismo e do subjetivismo, propagado pelo materialismo e o secularismo do mundo. A mística não subtrai a ação, pelo contrário, quanto mais contemplativo for o fiel, mais ef**az será sua ação no seio eclesial.

Abraços musicais de
Wallison Rodrigues

30/09/2022

𝐎 𝐬𝐢𝐥ê𝐧𝐜𝐢𝐨 𝐧𝐚 𝐋𝐢𝐭𝐮𝐫𝐠𝐢𝐚

Vivemos num mundo que não suporta o silêncio. E esse mundanismo penetrou no universo de nossas liturgias. Passamos de uma liturgia excessivamente silenciosa, no aspecto da passividade das assembleias, para uma liturgia falante e, muitas vezes, barulhenta demais. Confunde–se facilmente a liturgia da palavra com tagarelice e palavrório. Acha–se que participar consiste em estar falando ou cantando o tempo todo.

Muitos agentes de celebração não acreditam na força comunicadora do silêncio. Pensa-se muito freqüentemente e em muitas igrejas que “ouvir em silêncio, ver em silêncio, meditar em silêncio, gesticular em silêncio, andar em silêncio’, não é participar.

Introduz-se, então, a poluição sonora do mundo para o interior de nossas celebrações. Se ainda fossem ruídos e sons artísticos bem-feitos, imersos no mistério de celebrar… mas nem sempre é assim.

Não se trata, evidentemente, de voltar ao silêncio passivo e de pessoas ausentes na celebração. Muito menos de pensar que o silêncio deva ser mais ef**az instrumento numa festa.

Trata-se de descobrir e vivenciar seu valor de comunicação e vida na festa de celebrar o mistério pascal em comunidade. Trata-se de reconhecer que sem ele não há profundidade no que se fala, no que se canta, no que se faz.


Ser e silêncio

“É no silêncio que a alma encontra a plenitude de Deus”.

Tudo o que decorre da natureza divina do ser brota do silêncio do ser. Assim, tudo o que busca o ser humano para tocar o coração do outro (arte de se relacionar), decorre da profundidade do silêncio de ser. Nisso atingimos a natureza de sermos “imagem e semelhança” do criador.

O caminho da perfeição humana leva ao silêncio de ser, ao silêncio de só ser. Nosso interior é silencioso. A própria dor é silenciosa, como é marcadamente silenciosa a alegria interior. Dor e alegria que, num segundo estágio, se tornam gritos, sussurros, exclamações, lamentos, aplausos.

A consciência do silêncio como genuína expressão do ser é que pode levar à experiência de entender e tornar viva a voz do silêncio, a fala do silêncio, a comunicação silenciosa.

Se for verdade que todo canto que não promove o silêncio é inútil, também é verdade que a liturgia que não é perpassada de silêncio é estéril.

Mistério não faz barulho, e menos ainda mistério de fé; apesar de precisar romper o silêncio para ser celebrado, partilhado, comunicado, festejado, é sempre acompanhado dele.

A força comunicativa do silêncio

O silêncio integra a linguagem simbólica humana. É muito mais símbolo que razão. O homem marcadamente racional precisa muito mais falar do que calar. A poesia, por sua vez, é antes de tudo e depois de tudo silêncio,e não fala. Trata-se, pois, do silêncio que também é sinal, forma de participação, “forma difícil e pouco entendida e praticada.

Além de ser em si mesmo uma forma de comunicação, o silêncio exerce uma tríplice função na comunicação.

Interiorização: predispõe as pessoas e a assembléia para a resposta pessoal e comunitária, cria condições e tempos para aprofundar conteúdos, assimilar símbolos, curtir o que se ouve.

Escuta: sem silêncio não se escuta, não se acolhe a palavra. Ouvir é tão participativo quanto falar. Mas só os simples, despojados, humildes sabem ouvir.

Enriquecimento da comunicação falada: os momentos de pausa, até mesmo de descanso da palavra falada, proclamada ou cantada, enriquecem o que se ouviu e preparam para o que se vai ouvir. A ruptura causada pelo silêncio tem uma força expressiva de comunicação.


Maneiras de fazer silêncio

Há uma variedade em relação ao silêncio da vida cotidiana e na festa, e por isso mesmo, na própria liturgia. A linguagem própria de rádio é uma aprendizagem para o uso da voz, pois em rádio, o silêncio absoluto é ruído, imperfeição, não pode existir. Podemos pensar numa escala ascendente ao usar o silêncio:

– O uso equilibrado dessa variedade de silêncios, com a competência da voz e do gesto, constitui o segredo mais profundo da arte de declamar, de cantar e de comunicar integralmente.

– No decorrer de uma ação litúrgica, a prática dos silêncios pode ser ef**azmente comunicativa.

Momentos de silêncio na liturgia

Há momentos na ação celebrativa em que o silêncio pode e deve ser aproveitado para se chegar a uma participação mais interior, piedosa, serena e enriquecedora da vida espiritual da assembléia e das pessoas. Vejamos os momentos importantes da celebração em que o silêncio deve fazer-se presente:

Sempre iniciar a celebração com um instante de silêncio para criar o clima de espaço interior, deixar de lado o barulho do cotidiano e da rua, predispondo-se a celebrar o mistério. Nada impede que esse momento seja enriquecido com uma música suave, dependendo da comunidade e das pessoas.

Recorrer ao silêncio nos momentos de reflexão e oração pessoal da ação celebrativa: revisão de vida no rito penitencial, antes das orações presidenciais em resposta aos “oremos”; nos momentos das preces eucarísticas; na ação de graças final.

Antes e depois das leituras, seja para preparar a acolhida da palavra a ser ouvida, seja para deixar no coração da assembléia a mesma palavra.

Se enquanto acontece o silêncio as pessoas não se colocarem realmente em silêncio interior enriquecido pelo silêncio exterior, realizando de fato e verdadeiramente a função do silêncio, os momentos silenciosos dificilmente serão fecundos, podendo até tornar mais vazias certas celebrações.

O silêncio não é fuga e menos ainda alienação, a não ser que seja sem conteúdo e sem a dimensão que nasce de dentro.

O silêncio orante, celebrante e participativo só se alcança à medida que se vai amadurecendo na fé e na própria dimensão humana da vida. É fruto de exercício. Só assim ele comunica.

Desafios do silêncio na liturgia:

Apontamos aqui alguns desses desafios, mas certamente há muitos outros:

A qualidade de vida interior daqueles que celebram, a qual se revela à medida que se é capaz de rezar, e rezar em comunhão com a Trindade e com os irmãos.

A inconsciência ou desconhecimento da força da linguagem do silêncio, sempre se achando que ao se falar se comunica mais, ao movimentar-se se diz mais e que silêncio é não-participação.

A pressa em acabar logo a celebração, pressa essa revelada por meio do olho no relógio, na ansiedade em estar a postos para outros compromissos posteriores à celebração.
A influência deste mundo consumista e pragmatista que afeta tanto as celebrações litúrgicas, a começar muitas vezes pelos que presidem, pelos que exercem o ministério na liturgia.

A desconfiança de que o povo não gosta do silêncio, sobretudo o “povo jovem e o povo criança”, e que todo silêncio tem de ser preenchido com alguma coisa a mais.

A ilusão de que se festeja mais e melhor quanto mais se fala, se canta, se faz barulho, se movimenta, se aplaude, se ri, se dança.

A falta de atmosfera e clima de oração comunitária, muitíssimas vezes descurada pelos próprios responsáveis da ação litúrgica.

A ausência de iniciação ao silêncio na catequese, na vida de oração e na própria evangelização, e que acaba repercutindo na expressão litúrgica.

O ativismo e agitação de tantos responsáveis pela ação evangelizadora e celebrativa da Igreja, que não vêem muita razão de ser na ação contemplativa, como se fosse perda de tempo.

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