31/08/2026
HOMILIA DO ENCERRAMENTO DA IMAGEM PEREGRINA DA MAMÃ MUXIMA
Durante a celebração de encerramento da peregrinação da Mamã Muxima, o Padre Francisco Feliciano convidou a comunidade a refletir sobre aquilo que deve permanecer depois da partida da imagem peregrina.
O sacerdote começou por recordar que a imagem da Mamã Muxima chegou às comunidades, percorreu diferentes lugares, entrou nas casas e, sobretudo, entrou no coração de muitas pessoas. Contudo, lançou uma questão fundamental: o que levamos connosco depois da partida da Mamã Muxima?
Na sua reflexão, o Padre Francisco realçou que uma peregrinação não termina simplesmente quando a imagem chega a uma paróquia ou quando parte para outra comunidade.
Segundo o sacerdote, a peregrinação termina verdadeiramente quando Maria nos aproxima mais de Jesus e nos ajuda a viver com Ele.
Ao recordar a história da salvação, destacou a presença de Maria nos momentos decisivos: na Anunciação, quando Deus entra na história humana; em Belém, no nascimento de Jesus; em Caná da Galileia, quando Maria percebe a necessidade dos outros e diz: “Fazei tudo o que Ele vos disser”; e junto à cruz, permanecendo fiel ao seu Filho no momento do sofrimento.
O Padre Francisco destacou ainda que a Igreja não apresenta Maria como alguém que substitui Jesus. Pelo contrário, Maria aponta sempre para o seu Filho.
Ela não diz aos seus filhos para permanecerem nela e esquecerem Jesus. A sua mensagem é sempre a mesma: “Fazei tudo o que Ele vos disser.”
Por isso, o sacerdote sublinhou que quanto mais amamos Maria, mais devemos amar Jesus e, consequentemente, compreender o nosso compromisso de amor para com os outros.
Maria, Mãe próxima do seu povo
Ao falar da expressão “Mamã Muxima”, o Padre Francisco explicou que não se trata apenas de uma forma carinhosa de chamar Nossa Senhora.
Para o sacerdote, chamar Maria de Mamã Muxima é reconhecer nela uma mãe próxima, que acolhe, intercede, acompanha e conduz os seus filhos até Cristo.
A peregrinação, afirmou, foi um sinal de que Maria vem ao encontro do seu povo. Ela visita as comunidades, entra nas casas e aproxima-se particularmente daqueles que, apesar das dificuldades materiais, possuem uma grande riqueza: a fé.
O sacerdote recordou que é precisamente nesse coração simples e cheio de fé do povo que a presença da Mamã Muxima encontra um espaço especial.
Uma fé que não foge da cruz
Na segunda parte da reflexão, o Padre Francisco relacionou a peregrinação com a Palavra de Deus, recordando que Jesus nunca prometeu aos seus discípulos uma vida sem cruz.
Ao mencionar o episódio em que Pedro rejeita a ideia de um Messias que deveria sofrer, explicou que Pedro queria um Jesus glorioso e vencedor, mas sem sofrimento.
Segundo o sacerdote, muitas vezes também os cristãos caem na mesma tentação: querem Jesus sem cruz, bênção sem oração, vitória sem sacrifício e resultados sem esforço.
O Padre Francisco chamou ainda a atenção para a importância do trabalho e da responsabilidade. Sublinhou que a fé não dispensa o ser humano das suas responsabilidades e que a oração não deve ser usada como substituta do esforço pessoal.
É preciso rezar, mas também é preciso trabalhar. É preciso confiar em Deus, mas também fazer a nossa parte.
A oração não deve ser um telefone de emergência
O sacerdote contou ainda uma história para explicar a importância de uma vida de oração constante.
Recordou o diálogo entre um padre e uma senhora, a quem perguntou por que razão Nossa Senhora nunca faltava na sua vida. A mulher respondeu que era porque Nossa Senhora nunca faltava na sua vida.
Quando o padre perguntou quando ela rezava, respondeu que rezava quando tinha problemas.
O sacerdote, então, brincou dizendo que, nesse caso, deveria rezar também para não arranjar problemas.
A história, explicou o Padre Francisco, contém uma grande verdade: a oração não pode ser apenas o nosso telefone de emergência.
De acordo com a sua reflexão, não devemos procurar Deus somente nos momentos de sofrimento ou dificuldade. A oração deve fazer parte da vida diária.
Devemos procurar Deus quando estamos aflitos, mas também quando estamos felizes. Devemos agradecer, adorar e louvar, reconhecendo tudo aquilo que Deus realiza na nossa vida.
“Ama e faz o que quiseres”
Na sua reflexão, o Padre Francisco citou Santo Agostinho, recordando uma das suas frases mais conhecidas:
“Ama e faz o que quiseres.”
O sacerdote explicou que esta frase não significa que podemos fazer tudo aquilo que desejamos. Significa que, quando o coração está verdadeiramente enraizado no amor de Deus, as nossas escolhas começam a produzir frutos de bem.
Foi neste contexto que destacou o “sim” de Maria a Deus.
Maria confiou, serviu e permaneceu fiel mesmo diante das dificuldades. Junto à cruz, mostrou também que nem todas as situações da vida precisam de receber imediatamente uma explicação.
Há momentos, explicou o sacerdote, em que é necessário simplesmente colocar-se nas mãos de Deus e confiar.
Não sejamos apenas devotos, sejamos discípulos
O Padre Francisco recordou ainda a importância da tradição da Igreja, que apresenta Maria como Mãe de Deus e intercessora do povo cristão.
A partir daí, deixou um apelo concreto:
“Não sejamos apenas devotos de Maria; sejamos discípulos de Jesus com Maria.”
Para o sacerdote, este deve ser um dos principais frutos da peregrinação.
Ao responder à pergunta inicial da homilia, o Padre Francisco apresentou alguns dos frutos que os fiéis devem levar consigo.
O primeiro é a oração.
Apelou para que as famílias não deixem de rezar e para que a experiência vivida durante a peregrinação continue dentro das casas.
O segundo é a reconciliação.
O sacerdote convidou aqueles que têm dificuldades de relacionamento com alguém a darem o primeiro passo e procurarem a reconciliação.
Recordou que não se deve deixar para amanhã o bem que pode ser feito hoje, porque amanhã pode ser tarde demais.
Nesta perspectiva, alertou para o perigo de alguém participar numa celebração dedicada à Mamã Muxima e, ao regressar a casa, continuar a viver em conflito, ódio ou indiferença.
A fé não pode ficar dentro da igreja.
Ela precisa entrar nas famílias, nas relações, no trabalho e na comunidade.
A peregrinação termina, mas a fé continua
Na parte final da sua reflexão, o Padre Francisco recordou que a peregrinação pode terminar, os cânticos podem cessar, os peregrinos podem regressar às suas casas e a imagem pode partir.
Mas existe algo que não pode terminar:
a fé.
Na conclusão, o Padre Francisco recordou que seguir Jesus implica uma escolha, mas também uma renúncia.
Escolher Cristo significa renunciar a tudo aquilo que nos afasta d’Ele: o pecado, o egoísmo, o ódio, a divisão e tudo aquilo que impede a nossa caminhada cristã.
Inspirado na Palavra de Deus, recordou ainda que quem perde a sua vida por Cristo encontra a verdadeira vida.
Por fim, o sacerdote pediu a bênção de Deus sobre o Município de Camama, as paróquias, os sacerdotes, as famílias e todos aqueles que servem esta comunidade que cresce de dia para dia.
Na sua mensagem final, deixou o desejo de que a Mamã Muxima não seja apenas uma imagem que passou pelas comunidades, mas que a sua presença se transforme numa verdadeira bênção no coração de Camama, nas famílias e na vida de cada fiel.
A peregrinação chega ao fim, mas permanece o desafio de continuar a caminhar com Maria e, através dela, chegar sempre mais perto de Jesus Cristo.🥰🙏