23/03/2026
𝐃𝐈𝐒𝐂𝐔𝐑𝐒𝐎 𝐃𝐎 𝐂𝐇𝐄𝐅𝐄 𝐍𝐀𝐂𝐈𝐎𝐍𝐀𝐋 𝐃𝐀 𝐀𝐒𝐒𝐎𝐂𝐈𝐀ÇÃ𝐎 𝐃𝐄 𝐄𝐒𝐂𝐔𝐓𝐄𝐈𝐑𝐎𝐒 𝐃𝐄 𝐀𝐍𝐆𝐎𝐋𝐀 𝐊𝐈𝐊𝐀𝐒 𝐌𝐀𝐍𝐔𝐄𝐋 𝐌𝐀𝐂𝐇𝐀𝐃𝐎 𝐍𝐀 𝐀𝐁𝐄𝐑𝐓𝐔𝐑𝐀 𝐃𝐎 𝐗𝐈 𝐂𝐎𝐍𝐒𝐄𝐋𝐇𝐎 𝐍𝐀𝐂𝐈𝐎𝐍𝐀𝐋 𝐏𝐋𝐄𝐍Á𝐑𝐈𝐎
_Academia Diplomática Venâncio de Moura, Kilamba – Luanda, 21 de Março de 2026._
Caros irmãos do Comite Nacional;
Amados irmãos da Junta Central e todos os Serviços Centrais;
Caros Chefes Regionais;
Distintos irmãos Dirigentes;
Queridos Caminheiros;
Minhas Senhoras e meus Senhores.
Cumprimento com muita alegria e satisfação, a presença de todos os conselheiros neste momento histórico para o Movimento Escutista em Angola.
Ver este plenário vibrante e com a representação de todas as Regiões do país, é um forte sinal de que o Escutismo pulsa forte no coração da nossa Juventude.
Estamos aqui reunidos em Conselho Nacional sob o lema "Escutismo Para Todos e em Todos os Lugares", um enunciado de compromisso solene que assumimos perante a nação e para que seja materializado.
Caros irmãos escuteiros;
A nossa Organização já deu deu provas bem firmes, formando gerações com caráter e disciplina. Mas temos que ter em atenção que a situaçao mudou, o mundo mudou, a Juventude mudou. E se nos mantivermos agarrados a práticas e procedimentos que já não respondem aos desafios do presente, estaremos a falhar na nossa missão.
Cabe agora trilharmos novos rumos, porque o fim último do Escutismo é formar Jovens que transformem a sociedade. Para isso, todos os meios que temos disponíveis devem estar ao serviço cada vez mais profissional do Movimento. Falo da nossa organização, dos programas, da estratégia, dos processos e procedimentos, dos sistemas e da nossa gestão institucional. Tudo isso são ferramentas. O centro, a razão da nossa existência são e serão sempre os Jovens Escuteiros com um forte suporte de Adultos.
O desafio que temos pela frente é ainda maior porque a geração de Jovens líderes que aí está e nos observa é mais exigente. É uma geração digital, rápida e ao mesmo tempo menos paciente em função da sua própria característica. Eles não esperam. Se não formos rápidos e assertivos, seguirão outros caminhos que não o Escutismo.
Por isso, cabe a nós organizarmos a casa, a nossa casa, a AEA, porque a mudança já começou e é imparável.
Não estamos aqui para travar a mudança, estamos aqui para a liderar. As nossas discussões, os nossos actos, devem ser projectados hoje, mas tendo os olhos postos no futuro que queremos construir.
Não posso, neste momento solene, ignorar a situação delicada que temos enfrentado.
É do conhecimento de muitos que temos vivido tempos desafiantes enquanto organização.
Temos sido atacados na nossa unidade, com muitas mentiras e calúnias.
Assistimos, com tristeza, a um número de unidades e Escuteiros forçados a seguir outros caminhos, afastando-se da casa-mãe, a AEA, e a aderirem a uma organização de escuteiros ditos independentes e como consequência desligados da grande fraternidade da Organização Mundial do Movimento Escutista e da comunhão com Conferência Internacional Católica do Escutismo que é membro consultivo da OMME.
Queremos, a partir daqui, deixar bem claro que nunca houve, não há e jamais haverá conflito entre o Escutismo e a Religião, em qualquer das suas formas de manifestação. Porque os princípios fundamentais do Escutismo, a Promessa e a Lei, são totalmente coincidentes com os valores do Evangelho e com os ensinamentos da Igreja.
Na Associação de Escuteiros Angola as questões de doutrina própria de cada credo religioso sempre foram da responsabilidade exclusiva das respectivas congregações religiosas e nao há qualquer possibilidade de interferência nessa nobre missão própria das nossas igrejas.
É por isso falaciosa a ideia propagandeada por alguns, sobre uma eventual falta de espaço de manifestação das identidades religiosas numa Organização de carácter inclusiva como é a AEA.
O que de facto ocorreu foi algo diferente. Um grupo, devidamente identificado, composto por antigos Dirigentes da AEA e alguns clérigos, movidos por interesses que até hoje desconhecemos, forjou, ao longo dos últimos 6 anos, narrativas estranhas ao verdadeiro Escutismo e à própria doutrina da Igreja. Essas narrativas provocaram um irritante institucional entre a AEA e a CEAST, que persiste até hoje.
Mas a verdade prevalecerá. A nossa fé e a nossa dedicação aos Jovens são maiores do que qualquer divisão forjada artificialmente.
A verdade que os factos teimam em demonstrar, é que o Escutismo em Angola sempre foi um espaço de encontro e não de exclusão. Hoje, a AEA acolhe com orgulho Jovens e Dirigentes de 14 credos religiosos diferentes, que caminham juntos, partilhando a mesma Promessa e servindo a mesma causa.
Esta diversidade não é e nunca foi um problema, é a nossa maior riqueza. É nela que se expressa a verdadeira comunhão, aquela que não exige uniformidade de culto, mas que celebra a unidade de propósitos.
Desta diversidade de vivências, onde católicos, evangélicos, kimbanguistas, metodistas, anglicanos e tantos outros convivem lado a lado, nascem Jovens mais tolerantes, mais pacifistas e profundamente conscientes de que a paz se constrói no respeito pelo outro. É esse o contributo do Escutismo para uma Angola mais fraterna.
Mas não vivemos apenas de desafios. Vivemos, sobretudo, de esperança. O nosso potencial de crescimento é imenso. O futuro do Escutismo em Angola é brilhante, promissor, cheio de alegria e impactante. Neste caminho, abraçamos a municipalização do Escutismo como uma estratégia alinhada à divisão administrativa do País, que nos permite olhar com mais clareza para a cobertura efectiva da nossa presença no território nacional. É com esse olhar que concentramos esforços no crescimento, para que um número cada vez maior de crianças, adolescentes e jovens possa beneficiar dos valores do Escutismo.
Assumimos, com determinação, o nosso lugar de liderança como organização juvenil de educação não formal, pronta a servir as comunidades com entusiasmo e compromisso.
Cabe a nós meus caros irmãos tomarmos a dianteira, anteciparmo-nos, fazendo o que muito bem sabemos, criar parcerias estratégicas.
Precisamos de nos unir às entidades que partilham do mesmo fim, a educação de qualidade, o desenvolvimento da juventude.
Precisamos de abraçar a tecnologia e a inovação, tornando o Escutismo atractivo para esta geração sem contudo perder a nossa essência.
O prestígio alcançado pela AEA no plano internacional é motivo de justo orgulho para todos nós. Os nossos contingentes têm representado Angola com garbo nos mais importantes eventos internacionais de Jovens, levando bem alto o nome do Escutismo angolano. Hoje, temos Dirigentes e Jovens a participarem como consultores e membros de grupos de trabalho na Região Africana e na Organização Mundial do Movimento Escutista, cujas actuações nos enchem de orgulho e confirmam que estamos no caminho certo.
No entanto, não nos contentamos com o presente. Estamos já a preparar uma nova geração de líderes para serem projectados nos órgãos de governação do Escutismo a nível Regional e Mundial. Foi com esse propósito que adotámos a estratégia de transformar progressivamente o Fórum Jovem numa Academia Nacional de Liderança Juvenil, criando assim um viveiro estruturado de competências para que o futuro da AEA seja também reflectido no futuro do Escutismo Mundial.
Este XI Conselho Nacional Plenário é um marco importante na grandiosa história de mais de 3 decadas de Escutismo em Angola. Que daqui saiam decisões à altura dos desafios de hoje e do futuro. Que possamos eleger líderes comprometidos com a causa, a unidade e o crescimento da nossa Organização e que saiamos daqui mais fortes, mais unidos, mais entusiasmados e mais determinados a levar o Escutismo a todos e em todos os lugares dessa imensa Angola.
Bom trabalho a todos, Boa caça e Sempre Alerta para Servir!