16/05/2025
Estar próximo de um líder espiritual é uma bênção rara, mas também uma grande responsabilidade. Tenho observado, com atenção e pesar, como muitos de nós tratamos os líderes que Deus colocou ao nosso lado. A aproximidade, que deveria ser uma ponte para honra, aprendizado e crescimento, muitas vezes se transforma em um campo de dessacralização onde deixamos de enxergar o espiritual por trás do humano.
Quando nos aproximamos demais sem maturidade, corremos o risco de olhar o pastor apenas como homem, esquecendo que ele é servo de Deus. A unção que carregava peso à distância, de perto se torna comum aos nossos olhos. E é aí que começamos a perder, não porque o líder mudou, mas porque nossa percepção se distorceu. Familiaridade sem honra gera esterilidade espiritual.
Isso também vale para outras figuras de autoridade, como pais. Se tenho um pai e deixo de vê-lo como pai, trato-o como um igual, um colega, e perco os privilégios que estão ligados à posição que ele ocupa. A bênção vem da posição, e é liberada na medida que reconhecemos essa posição. O que recebo de um pai é diferente do que recebo de um amigo. O que recebo de um pastor é diferente do que recebo de um companheiro de caminhada.
A honra é a chave que abre os tesouros que a aproximação pode oferecer. Sem ela, o que era para ser canal de bênção vira obstáculo. Aproximar-se de um líder não deve nos fazer esquecer quem ele é diante de Deus. A intimidade não pode matar a reverência. O comum não pode esconder o sagrado.
Por isso, é preciso cuidado. Aproxime-se, sim, mas com o coração alinhado, com os olhos espirituais abertos, com temor e discernimento. Porque a medida com que vemos determina a medida com que recebemos. E se deixarmos de ver um líder como instrumento de Deus, corremos o risco de fechar em nós mesmos o canal que Deus usaria para nos abençoar.
Pai e Filho
Bispo Guilherme K. Kapinga
Ancião Laurindo João Fundo